Namíbia descobre novo jazigo de minerais críticos de elevado teor
A Namíbia, maior produtora de urânio de África, alberga um novo jazigo de minerais críticos de alto teor, depois de a empresa australiana cotada em bolsa Askari Metals (ASX) ter divulgado os resultados da Fase 1 de escavações no seu projecto Uis, detido a 100%, confirmando uma extensa mineralização polimetálica.
Os resultados evidenciam níveis significativos de estanho, lítio, tântalo e rubídio ao longo de uma formação pegmatítica com cerca de 2,2 quilómetros, sustentando o potencial para a definição de recursos e para um futuro desenvolvimento mineiro.
Estes minerais são considerados críticos devido ao seu papel essencial nas tecnologias modernas e em diversas aplicações industriais. O estanho é utilizado em electrónica e ligas metálicas; o lítio alimenta baterias para veículos eléctricos e sistemas de armazenamento de energia; o tântalo é fundamental para condensadores em equipamentos electrónicos avançados; e o rubídio tem aplicações em electrónica especializada e em relógios atómicos.
As escavações foram realizadas com um espaçamento aproximado de 40 metros, com o objectivo de orientar perfurações subsequentes na segunda metade de 2026. Entre os resultados mais relevantes destacam‑se 8340 ppm de estanho, 0,57% de óxido de lítio, 299 ppm de tântalo e 2380 ppm de rubídio, com teores de lítio acima dos limiares de corte habitualmente utilizados para pegmatitos de espodumena.
A descoberta posiciona a Namíbia como um potencial fornecedor‑chave de materiais que sustentam as cadeias globais de tecnologia e energia verde, reforçando a sua importância estratégica e económica.
A descoberta reforça o posicionamento da Namíbia como um emergente pólo de minerais críticos, complementando as suas fontes tradicionais de receita provenientes do urânio, diamantes e metais de base.
Logística Simples
Minerais críticos como o lítio e o tântalo registam uma procura global crescente, impulsionada pelas indústrias de baterias, electrónica e energias renováveis, o que significa que o desenvolvimento bem-sucedido do projecto poderá gerar receitas significativas de exportação e reforçar o papel estratégico do país no panorama mineiro africano.
Com os preços do estanho em torno dos 46 mil dólares por tonelada, tendo atingido picos de 57 mil dólares, o projecto poderá contribuir de forma relevante para as receitas do sector mineiro nacional, atrair investimento estrangeiro e criar emprego numa região que já beneficia de infra-estruturas consolidadas, incluindo o porto de águas profundas de Walvis Bay.
A primeira fase de escavação de trincheiras apresentou resultados de ensaios significativos, com lítio e estanho excedendo os padrões comuns da indústria
O director-executivo Gino D’Anna destacou que a proximidade do projecto à mina de estanho, actualmente em operação, oferece vantagens logísticas e potencial ainda não explorado em múltiplos alvos pegmatíticos. “O projecto Uis está a afirmar-se como um activo estratégico de grande relevância, com um significativo potencial económico”, afirmou.
À medida que a Namíbia procura diversificar para além dos minerais tradicionais, descobertas como a de Uis evidenciam o potencial do país para captar uma quota crescente do mercado africano de minerais críticos, com implicações de longo prazo ao nível das receitas, do desenvolvimento industrial e da sua relevância nas cadeias globais de abastecimento.