Petroleiros com destino à África do Sul com permissão de passagem por Ormuz
O ministro dos Recursos Minerais e do Petróleo da África do Sul, Gwede Mantashe, apelou aos sul-africanos para não entrarem em pânico face a uma possível escassez de combustível, afirmando que navios com carga e abastecimentos destinados ao país estão a atravessar o Estreito de Ormuz sem interrupções ou ameaças de ataques por parte do Irão.
Mantashe respondia a questões na Assembleia Nacional, na quarta-feira, dia 25, numa altura em que os sul-africanos continuam profundamente preocupados com a escassez de combustível e um possível aumento acentuado dos preços, previsto para entrar em vigor na próxima semana.
Mantashe afirmou, citado pelo jornal ‘The Citizen’, que a posição declarada do Irão deverá atenuar receios de uma interrupção imediata do abastecimento, especialmente para a África do Sul. “Se acompanharem as notícias, perceberão que o Estreito de Ormuz permite a passagem de carga destinada à África do Sul sem interrupções. Isso significa que temos condições para manter um abastecimento estável por um longo período de tempo.”
O responsável político acrescentou que o Irão estabeleceu dois requisitos para que os países continuem a operar no estreito, referindo que Pretória está a dialogar com parceiros dos BRICS sobre o conflito actual. “No Estreito de Ormuz, há uma condição: podem atravessar se não forem parceiros ou aliados dos Estados Unidos e de Israel. A segunda condição é o pagamento ao Irão em rial, e não em dólares.
“Trata-se de uma decisão política tomada por Teerão, toda a carga destinada à África do Sul está a ser autorizada a passar. Não há motivo para receio, a menos que se queira identificar com os Estados Unidos e Israel.”
Com o anúncio do preço dos combustíveis previsto para a próxima semana, o ministro dos Recursos Minerais e do Petróleo afirmou que a África do Sul tem pouca margem para contrariar choques nos preços do petróleo. “Há coisas que podemos fazer e outras que não podemos. Se a carga não conseguir chegar-nos a partir do Médio Oriente, então, a partir de 1 de Abril, pode-se esperar um aumento de preços.”
Relatos de racionamento em postos de abastecimento na região da Garden Route e atrasos na entrega de gasóleo aumentaram a preocupação, sobretudo no sector agrícola, num momento crítico do calendário de produção. Para além do gasóleo, os custos dos factores de produção, como fertilizantes, também estão a subir devido aos aumentos previstos nos preços dos derivados do petróleo.