Sector petrolífero angolano gerou contratos na ordem dos 54 mil milhões de USD entre 2022-25
O sector petrolífero angolano gerou contratos de 54,4 mil milhões de dólares entre 2022 e 2025, dos quais 97% adjudicados a empresas registadas no país, revelou ontem, quinta-feira, dia 26, o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo.
O governante, que falava na abertura da Conferência Anual do Conteúdo Local, em Luanda, indicou que esses contratos, homologados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, correspondem a investimentos realizados pelas operadoras nas áreas de exploração, desenvolvimento, administração e prestação de serviços associados às operações petrolíferas.
Deste montante global, cerca de 97%, equivalentes a aproximadamente 52,6 mil milhões de dólares, foram adjudicados a empresas registadas em Angola, incluindo sociedades comerciais angolanas, detidas integralmente por cidadãos nacionais, e sociedades comerciais de direito angolano com estrutura de capital misto. Outros 3% foram adjudicados a empresas estrangeiras representando cerca de 1,8 mil milhões de dólares.
Diamantino Azevedo afirmou que o objectivo fundamental “é assegurar que os investimentos realizados na indústria petrolífera se traduzam em mais emprego, maior transferência de tecnologia, fortalecimento da classe empresarial nacional e criação de valor dentro da economia angolana.”
Neste quadro, o titular da pasta dos petróleos destacou que “os resultados alcançados no domínio do emprego e da angolanização da força de trabalho são igualmente encorajadores”, com o upstream (exploração e produção de petróleo e gás) a empregar actualmente 42.568 trabalhadores. Destes, cerca de 37 034 (87%) são nacionais e aproximadamente 5.800 ocupam cargos de direcção e chefia, reflectindo um aumento da presença angolana em funções de responsabilidade.
No segmento downstream (distribuição e comercialização de produtos petrolíferos), a rede de 931 postos de abastecimento assegura cerca de 37.240 empregos, maioritariamente ocupados por jovens entre os 25 e os 45 anos.
O governante sublinhou ainda o potencial de criação de emprego associado à expansão da rede de distribuição, com a previsão de construção de mais 50 postos até 2027, o que poderá gerar cerca de 2250 empregos directos e indirectos.
Apesar destes avanços, Diamantino Azevedo reconheceu limitações na participação das empresas totalmente detidas por angolanos, que representaram cerca de 8% das contratações em 2025, embora em crescimento face a anos anteriores.
Potencial de 1 trilião de pés cúbicos de gás
O ministro admitiu também a existência de constrangimentos estruturais, referindo “desafios importantes a superar […] no domínio da capacitação tecnológica, do acesso ao financiamento e da consolidação das empresas nacionais, bem como dificuldades associadas ao enquadramento cambial vigente”.
No plano produtivo, o ministro lembrou que Angola enfrenta um declínio da produção desde 2016, com “reduções anuais estimadas entre 10% a 15%”, atribuídas à maturidade dos campos e à ausência de investimento exploratório durante vários anos. Ainda assim, apontou sinais de recuperação, com investimentos acumulados de cerca de 99 mil milhões de dólares entre 2017 e 2025 e uma previsão de mais de 66 mil milhões de dólares até 2030.
O governante destacou também novas descobertas e o potencial do sector, referindo estimativas de “recursos acima de mil milhões de barris de petróleo e cerca de um trilião de pés cúbicos de gás.”
Salientou ainda o papel crescente do gás natural, enquadrado pela Lei do Gás e pelo Plano Director do Gás, como base para o desenvolvimento de indústrias como fertilizantes, aço e petroquímica, reforçando a diversificação económica do país.