Trump admite faltar à cimeira do G20 em Joanesburgo
O chefe da Estado da África do Sul, Cyril Ramaphosa, disse ontem, quarta-feira, dia 21, que espera que Donald Trump participe na reunião do G20, agendada para Novembro, em Joanesburgo, África do Sul, apesar do encontro tenso havido ontem entre os dois na Sala Oval.
“Espero que ele vá à África do Sul”, disse Cyril Ramaphosa a jornalistas, no final da sua visita à Casa Branca. “É importante que os EUA continuem a ter um papel importante”, prosseguiu, depois de ter destacado junto de Trump que a presidência rotativa do G20 em 2026 vai caber ao seu país. “Quero transmitir a presidência do G20 ao presidente Trump em Novembro, e disse-lhe que ele deveria estar presente. Não quero transmitir a presidência a uma cadeira vazia”, insistiu.
Contudo, Trump já admitiu faltar ao que vai ser a primeira cimeira do G20 no continente africano. Ontem, no encontro da Sala Oval, Trump, à semelhança do que fez com o ucraniano Zelensky, montou uma emboscada ao seu homólogo sul-africano, ao mostrar-lhe vídeos com o fim de apoiar as acusações norte-americanas de os agricultores brancos sul-africanos serem vítimas de um “genocídio”. Trump não se ficou apenas pelos vídeos e recorreu também a cópias impressas de artigos que, segundo o próprio, relatavam assassinatos de cidadãos brancos na África do Sul.
Ramaphosa ainda tentou várias vezes corrigir as declarações, mas foi repetidamente interrompido por Donald Trump, que insistiu na sua própria retórica. “Não, não, não, ninguém pode tirar terras”, respondeu depois de o Presidente norte-americano o ter acusado de “autorizar” expropriações de agricultores brancos no seu país. Ramaphosa reiterou que não existe “genocídio africâner” no seu país e pediu a Donald Trump que ouvisse o povo da África do Sul para que pudesse abandonar essa ideia.
No final do encontro, aos jornalistas, Ramaphosa procurou minimizar o incidente, afirmando que os dois “não se demoraram” neste assunto, acrescentando que Trump tinha aceitado reunir-se outra vez com ele e que representantes dos dois Estados iriam discutir assuntos comerciais.
“No conjunto, penso que a nossa visita foi um grande sucesso”, disse, justificando: “Pudemos fazer o que queríamos no que toca às relações com os EUA”.