Eurovisão separa águas entre política e música em relação à participação de Israel
A União Europeia de Radiodifusão (EUR) emitiu, esta terça-feira, dia 9, um comunicado sobre a participação de Israel no Festival Eurovisão da Canção – o maior evento musical organizado pela rede Eurovisão – reconhecendo que, apesar da “dor inquestionável sofrida por aqueles que vivem em Israel e em Gaza”, é “inaceitável e totalmente injusto” que a representante israelita no certame, Eden Golan, seja vítima de “discurso de ódio e assédio”.
“A União Europeia de Radiodifusão reconhece a profundidade dos sentimentos e as fortes opiniões que o Festival Eurovisão da Canção deste ano – que teve como pano de fundo uma terrível guerra no Médio Oriente – provocou. Compreendemos que as pessoas queiram participar no debate e exprimir as suas opiniões mais profundas sobre este assunto. Todos nós fomos afectados pelas imagens, histórias e pela dor inquestionável sofrida por aqueles que vivem em Israel e em Gaza”, lê-se num comunicado assinado pelo director-executivo adjunto da UER, Jean Philip De Tender.
Na nota, frisa-se ainda que a “decisão de incluir qualquer emissora” no festival, incluindo a israelita KAN, é “da exclusiva responsabilidade dos órgãos directivos da UER e não dos artistas individuais.”
“Estes artistas vêm à Eurovisão para partilhar a sua música, a sua cultura e a mensagem universal de unidade através da linguagem da música”, sublinha a UER, lembrando que “já explicou anteriormente o motivo da inclusão da KAN” e as “diferenças” entre a emissora israelita e outras que foram “excluídas”, como é o caso, por exemplo, da Rússia.
Rússia é um caso à parte
Em Dezembro do ano passado, num esclarecimento, enviado ao jornal belga Het Laatste Nieuws (HLN), a organização defendeu que “o Festival Eurovisão da Canção é um concurso para as emissoras públicas de toda a Europa e do Médio Oriente”. “É um concurso para as emissoras – não para governos – e a emissora pública israelita participa no concurso há 50 anos”, reiterou.
Questionada sobre o facto de a Rússia ter sido expulsa do festival em 2022, após a invasão da Ucrânia, a UER explicou que o país liderado por Vladimir Putin violou as suas “obrigações” enquanto membro e violou “os valores dos meios de comunicação social públicos.”
Nesta linha, a organização do evento afirmou, que, apesar de apoiar “firmemente a liberdade de expressão e o direito de expressar opiniões numa sociedade democrática”, opõe-se “firmemente a qualquer forma de abuso em linha, discurso de ódio ou assédio” dirigido aos artistas. “Isto é inaceitável e totalmente injusto, uma vez que os artistas não têm qualquer papel nesta decisão”, reforçou. “Apelamos a todos para que se envolvam num diálogo respeitoso e construtivo e apoiem os artistas que estão a trabalhar incansavelmente naquele que é um espetáculo de música e entretenimento – para partilhar a sua música com o mundo”, acrescentou.
Recorde-se que Israel estreou-se no festival Eurovisão em 1973, uma vez que, segundo as normas do concurso, todos os membros activos da União Europeia da Radiodifusão – ou seja, que façam parte da Área Europeia de Radiodifusão e que pertençam ao Conselho da Europa – podem participar.
Refira-se que a 68.ª edição do Festival Eurovisão da Canção realiza-se entre os dias 7 e 11 de Maio, em Malmo, na Suécia. A israelita Eden Golan sobe ao palco na segunda semifinal, marcada para o dia 9 de Maio, com o tema ‘Hurricane’.
Antes de ‘Hurricane’, a emissora israelita KAN tinha apresentado o tema ‘October Rain’, que não foi aceite pela UER, por fazer referência ao brutal ataque do Hamas em solo israelita em 7 de Outubro.