CEDEAO não aplica sanções à Guiné-Bissau, mas faz recomendações

O presidente em exercício da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), o nigeriano Bola Tinubu, expressou ontem, domingo, 10, a sua solidariedade com o povo da Guiné-Bissau, após os recentes distúrbios e criticou mudanças inconstitucionais de governo em África.

Na abertura da cimeira da organização que decorreu em Abuja, capital da Nigéria, Tinubu disse que a mensagem tem de ser muito clara: a sublevação militar tornou-se uma aberração que subverte a vontade popular e não pode ter mais lugar em África. “Os nossos povos têm de exercer a sua liberdade de escolha sem interferências”, referiu o presidente da CEDEAO.

A cimeira foi dominada por questões relativas à paz e segurança na sub-região. O presidente da comissão da CEDEAO, Omar Touray, referiu que uma comissão, integrada por representantes do Benin, Togo e Serra Leoa vai trabalhar com as autoridades do Níger no sentido de se criar condições para o levantamento das sanções. “Com base nos resultados do envolvimento do comité de chefes de Estado com o CNSP (Conselho Nacional para a Salvaguarda da Pátria, no poder no Níger), a autoridade aliviará progressivamente as sanções impostas ao Níger”, disse Touray no encerramento da cimeira, mas alertou que “se o CNSP não cumprir os resultados do envolvimento com o comité, a CEDEAO manterá todas as sanções.”

Touray acrescentou que a CEDEAO reconheceu a situação “terrível humanitária” no Níger, mas acusou os governantes de Niamey de interferir no fluxo de ajuda que foi permitido entrar no país.

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo-Verde, Rui Figueiredo Soares, presente na reunião, referiu que a situação na Guiné-Bissau foi um dos assuntos abordados: “Em relação à Guiné-Bissau levantou-se aqui a questão dos incidentes verificados recentemente e apelou-se ao retorno, logo que possível, à normalidade constitucional. “A Assembleia Nacional Popular foi dissolvida e esperamos que as partes cheguem a um entendimento o mais depressa possível”.

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