250 mil pessoas deslocadas no leste da RDC
Só no mês de Fevereiro
“É realmente de partir o coração [e] o que eu vi é uma situação verdadeiramente horrível”, disse, citado pela Associated Press (AP), Ramesh Rajasingham, director de coordenação do gabinete humanitário da ONU, relativamente à situação humanitária que se vive no leste da República Democrática do Congo.
Longe da capital do país, Kinshasa, a região leste da RDC é há muito palco de acções armadas de mais de 120 grupos armados que lutam por uma parte do ouro e de outros recursos naturais da região, ao mesmo tempo que efectuam assassínios em massa.
Rajasingham visitou a cidade de Goma, onde muitos estão a procurar refúgio. “Um número tão elevado de pessoas deslocadas em tão pouco tempo não tem precedentes”, afirmou.
No meio da intensificação dos combates com as forças de segurança, o grupo rebelde M23 – o mais relevante na região, com alegadas ligações ao vizinho Ruanda – continuou a atacar aldeias, obrigando muitos a fugir para Goma, a maior cidade da região, cuja população, estimada em dois milhões de pessoas, já está sobrecarregada com recursos inadequados.
Embora o M23 tenha afirmado que tem como alvo as forças de segurança e não os civis, cercou várias comunidades, estando cerca de metade da província de Kivu do Norte sob o seu controlo, deixando muitas pessoas encurraladas e fora do alcance da ajuda humanitária, de acordo com Richard Moncrieff, director do Grupo de Crise para a região dos Grandes Lagos.
“Fugimos da insegurança, mas aqui também vivemos com medo constante”, disse à AP Chance Wabiwa, 20 anos, em Goma, onde está refugiado. “Encontrar um lugar pacífico tornou-se uma utopia para nós. Talvez nunca mais o voltemos a ter”, acrescentou Wabiwa.
Reeleito para um segundo mandato de cinco anos em Dezembro, o Presidente da RDC, Felix Tshisekedi, acusou o vizinho Ruanda de fornecer apoio militar aos rebeldes.
O Ruanda nega a alegação, mas peritos da ONU afirmam que existem provas substanciais da presença das suas forças na RDC.
As forças de manutenção da paz regionais e da ONU foram convidadas a abandonar o RDC depois de o Governo as ter acusado de não terem conseguido resolver o conflito.
Rajasingham afirmou que as agências humanitárias estão a fazer o seu melhor para chegar às pessoas afectadas pelo conflito, mas advertiu que “um enorme afluxo de pessoas está a colocar desafios que vão para além do que se pode enfrentar neste momento.”
“Tem de haver uma solução para o sofrimento, para a deslocação, para a perda de meios de subsistência, para a perda de educação”, vincou.