Seis roças de São Tomé e Príncipe classificadas como Património da Humanidade pelo UNESCO
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) declarou ontem, domingo, dia 26, como Património Mundial mais de uma dezena de locais, a maioria dos quais no continente asiático, durante a reunião anual do comité que decorre na cidade sul-coreana de Busan.
Entre as novas inclusões encontra-se um conjunto de seis roças situadas em São Tomé e Príncipe, que representam um sistema colonial dedicado principalmente à produção de café e cacau, combinando terras agrícolas, infraestruturas industriais, áreas residenciais e instalações sociais.
Estes locais, sublinhou a organização da ONU, ilustram o funcionamento de um sistema agroindustrial colonial em grande escala, baseado na migração e nos trabalhos forçados, desde o final do século XIX até meados do século XX, concebido para sustentar a produção de matérias-primas após a abolição da escravatura.
Entre outras inclusões na lista encontram-se o templo budista Wat Phra Mahathat Woramahawihan, em funcionamento ininterrupto há mais de 1.500 anos na província tailandesa de Nakhon Si Thammarat, os complexos funerários de Xiongu, na Mongólia, o conjunto sagrado da província cazaque de Mangystau, composto por mesquitas “subterrâneas únicas”, e a indústria de porcelana artesanal de Jingdezhen, na China, com uma área de quase 2.000 hectares.
A UNESCO deu também “luz verde” à declaração de Património Mundial para o antigo templo budista de Sarnath, na Índia, um local sagrado onde se acredita que Buda proferiu o seu primeiro sermão e conheceu os seus primeiros discípulos.
No continente africano, acrescentou ao Património Mundial as medinas dos históricos sultanatos das ilhas Comores e a aldeia tunisina de Sidi Bou Said, de frente para o mar Mediterrâneo.
No que diz respeito ao Património Natural, a UNESCO incluiu o Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Okefenokee (Estados Unidos) e a reserva natural de Wadi Wurayah, nos Emirados Árabes Unidos (EAU).
Por sua vez, declarou Património Mundial os fósseis de peixes ósseos de Limfjord, na Dinamarca, por se tratar do local mais antigo e importante no que diz respeito à evolução e diversificação inicial dos peixes ósseos modernos.
O sítio arqueológico de Sebastia, na Cisjordânia, e cinco castelos na região de Monte Amel, no Líbano, foram também inscritos na lista do Património Mundial da UNESCO, apesar das objecções de Israel, que instou a organização a rejeitar as candidaturas.
Os membros do comité da UNESCO decidiram inscrever Sebastia e os cinco castelos da região do Monte Amel tanto na lista do Património Mundial como na lista do Património Mundial em Perigo, após terem analisado as candidaturas em regime de urgência, invocando os conflitos em curso no Médio Oriente.
Refira-se que a 48.ª reunião da UNESCO, decorre entre 19 e 29 de Julho em Busan, na Coreia do Sul, avalia 30 candidaturas de diferentes países.