Receitas do sector bancário em África ultrapassam pela primeira vez 100 mil milhões de USD

As receitas do sector bancário africano ultrapassaram, pela primeira vez, os 100 mil milhões de dólares, com níveis de rendibilidade bem acima da média global, indicou a consultora McKinsey, destacando a crescente importância económica do sector e a sua concentração em poucos mercados.

As receitas bancárias no continente atingiram cerca de 99 mil milhões de dólares em 2024 e estima-se que tenham aumentado para 107 mil milhões de dólares em 2025, segundo a consultora, num relatório divulgado ontem, segunda-feira, dia 30.

A rendibilidade dos capitais próprios situou-se em 19% em 2024 e deverá abrandar para 17% neste ano, em comparação com uma média global de cerca de 10%.

Apesar do crescimento, as receitas permanecem fortemente concentradas. Egipto, Quénia, Marrocos, Nigéria e África do Sul representam cerca de 70% do total das receitas bancárias em África, sendo a África do Sul o maior mercado, com aproximadamente 26,4 mil milhões de dólares em receitas provenientes de clientes em 2024.

O forte desempenho reflecte um período de quatro anos de condições favoráveis, impulsionado por taxas de juro elevadas, reajustamento de empréstimos e ganhos com operações cambiais e de negociação, mesmo com os bancos a enfrentarem volatilidade cambial e condições macroeconómicas desiguais.

“O sector bancário africano passou decisivamente de uma narrativa de potencial para uma de desempenho”, afirmou Mayowa Kuyoro, sócio e responsável pela área de serviços financeiros da McKinsey em África, citado pela agência Reuters.

A preços constantes, as receitas bancárias cresceram cerca de 17% ao ano entre 2020 e 2024, muito acima da média global. Em termos de dólares norte-americanos, o crescimento foi mais moderado, 5,2% anuais, reflectindo fortes oscilações cambiais em vários mercados.

A expansão tem sido sustentada pelo aumento da inclusão financeira, pela rápida adopção de serviços bancários digitais e pela procura de uma população jovem e cada vez mais urbanizada. A população africana cresceu mais de 2% ao ano entre 2020 e 2025, enquanto a população em idade activa aumentou quase 3% ao ano.

O crédito continua a ser a principal fonte de receitas e deverá crescer para cerca de 52 mil milhões de dólares até 2030, enquanto as pequenas e médias empresas deverão constituir o segmento de clientes com crescimento mais rápido.

“A próxima fase da concorrência será definida pela forma como os bancos escalam capacidades digitais e desenvolvem fontes de receita para além do crédito tradicional”, acrescentou Kuyoro.

Notícias relacionadas
Comentários
Loading...