Presidente da AIA defende aumento gradual dos combustíveis

O presidente da Associação Industrial de Angola (AIA) defendeu ontem, segunda-feira, dia 15, o aumento progressivo do preço dos combustíveis e o agravamento da importação de viaturas a gasolina, para mitigar os “subsídios loucos”, defendendo também melhor organização dos transportes públicos.

“Há uma forma de mitigar o custo do subsídio a gasolina: a taxa de importação de veículos a gasolina já deveria ser mais alta, mas para isso temos de ter os transportes públicos organizados, o imposto de circulação rodoviária também deveria ser um bocadinho mais alto”, afirmou José Severino, questionado sobre o novo aumento do combustível no país.

Segundo o presidente da AIA, as referidas medidas deveriam mitigar o “subsídio louco” [que o Estado angolano] desembolsa com a gasolina e daí fazer-se “contenção da utilização” deste combustível, defendendo, no entanto, “transportes públicos funcionais.”

O transporte público, sobretudo em Luanda, argumentou, constitui um desafio que deve ser encarado com “maior seriedade pelas autoridades”, tendo salientado que sem o preço da gasolina corrigido Angola não terá uma saúde e educação no nível desejável.

“Sem termos o preço da gasolina corrigido não vamos ter saúde, não vamos ter educação no nível que desejamos. Estamos a gastar o dinheiro a gasolina e quem tem carro a gasolina pode pagar um bocadinho mais e é isto que temos de fazer (…) aumentos progressivos”, notou.

O preço do litro de gasóleo passou a custar 420 kwanzas (0,39 euros), desde sábado, contra os anteriores 400 kwanzas (0,37 euros), mas as autoridades mantiveram inalterado o preço do litro da gasolina a 300 kwanzas (0,28 euros).

À margem da 1.ª edição do Pensar Global: Debate “África e o Mundo – Repensar o Presente e Redefinir o Futuro”, realizado ontem em Luanda, José Severino considerou natural o aumento do gasóleo, observando, porém, que a decisão “não vai corrigir e estrutura de custos do país.”

“Não é isto que vai implementar dinamismo, nós temos de ter uma percepção de que os aumentos [dos combustíveis] têm de ser progressivos tal como outros países fazem”, salientou, lamentando as implicações da medida, particularmente nos transportes públicos.

Porque “os transportes públicos não estão organizados para a classe média, para os operários e para os funcionários públicos que auferem menos, mas a classe média não tem conforto nos autocarros”, realçou, aludindo às implicações do combustível neste segmento.

O presidente da AIA insistiu mesmo na necessidade de haver “melhor organização no sector do transporte publico no país que passa, no seu entender, pela sua abertura ao sector privado.

Defendeu mesmo a abertura de mais investimento privado no mercado do transporte público: “porque a classe média pode pagar mais, agora não se pode ter uma tarifa diferenciada dentro dos autocarros”, assinalou.

Refira-se que o Governo angolano efectua uma política contínua da retirada gradual de subsídio aos combustíveis, devido ao elevado consumo de verbas do orçamento de Estado,

defendendo que estes montantes poderiam ser canalizados para projectos sociais e de infraestruturas.

Em Abril deste ano, o executivo angolano anunciou que as receitas do país devem crescer 3,2 biliões de kwanzas com o aumento do preço do barril de petróleo no mercado internacional, contudo, parte deste montante será consumido com o subsídio aos combustíveis.

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