Gestão dos recursos hídricos para combater a seca custa 450 milhões de dólares

O país vai investir 450 milhões de dólares para melhorar os serviços de abastecimento de água e gestão de recursos hídricos.
O objectivo é amenizar os efeitos da mais árdua seca dos últimos 40 anos no sul de Angola, cuja iniciativa consta do projecto de Resiliência Climática e Segurança da Água em Angola (RECLIMA), financiado pelo Banco Mundial e pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).

O projecto visa ainda apoiar o país, investindo na melhoria das instituições de gestão da água, assim como em infra-estruturas hídricas.

Refira-se que, o acordo de financiamento com a AFD foi assinado em Março de 2023, e espera-se que o projecto beneficie quase um milhão de pessoas, principalmente nas províncias de Benguela, Huíla, Namibe, Cunene e Cuando Cubango, as mais afectadas pela seca. Zaire, Kwanza Sul e Luanda também beneficiarão do projecto.

O Dia Mundial da Água, que acontece a 22 de Março de cada ano, visa chamar a atenção para a crise mundial de água e saneamento e em particular para as mais de 2 mil milhões de pessoas no mundo que actualmente não têm acesso à água potável. A seca prolongada em Angola exemplifica o por quê do Dia Mundial da Água deste ano enfocar na urgência de acelerar a mudança; de facto, com o impacto crescente do aquecimento global prevê-se um agravamento da crise da água.

Por sua vez, Nacatolo António, gestora de investimentos na AFD, diz que muitas vezes, o impacto de eventos climáticos graves é pior em áreas onde há desprovimento ou inexistência de sistemas de gestão de recursos hídricos.

“MUITOS PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO SÃO ACTUALMENTE MAIS VULNERÁVEIS ÀS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS PORQUE A SUA CAPACIDADE E INSTITUIÇÕES DE GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS AINDA ESTÃO A AMADURECER. “NESTES PAÍSES, COMO É O CASO DO NOSSO, NÃO SE TRATA SOMENTE DE ADAPTAR OS SISTEMAS HÍDRICOS PARA RESPONDER ÀS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS, MAS SIM DE APOIAR NA CONSTRUÇÃO DE SISTEMAS HÍDRICOS RESISTENTES A MUDANÇAS CLIMÁTICAS”.

Nacatolo diz ainda que, apesar dos investimentos em infra-estruturas serem cruciais para melhorar o acesso à água, saneamento e higiene para os angolanos urbanos e rurais, o RECLIMA colocará também uma forte ênfase no desenvolvimento institucional. “O projecto inclui assistência técnica às empresas provinciais de água e saneamento, que deverá ajudá-las a prestar serviço contínuo e eficiente e a assegurar a sustentabilidade das infra-estruturas construídas. . A gestão eficaz dos recursos hídricos não pode surgir apenas durante as secas, requer sistemas e instituiçõeseficientes no longo prazo”.

É de notar que, a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) implementa a política francesa de desenvolvimento e de solidariedade internacional. Por meio do financiamento do setor público e de ONGs, de publicações e de trabalhos de pesquisa (Edições AFD), de capacitação sobre o desenvolvimento sustentável (Campus AFD) e de consciêncialização na França, ou seja, a AFD financia, acompanha e impulsiona as transições para um mundo mais justo e resiliente.

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