Como o sector mineiro africano está a moldar o futuro dos minerais críticos em 2025
O sector mineiro africano vive, neste ano de 2025, viver um momento importante, impulsionado pela convergência de três tendências transformadoras: o crescente interesse ocidental pelos recursos de África; a mudança global para uma transição energética justa; e o impacto do Acordo que estabelece a Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA).
De acordo com a publicação digital “Further Africa’, esta dinâmica oferece oportunidades sem precedentes para o crescimento sustentável, mas também coloca desafios aos governos, aos operadores mineiros e às comunidades para alinharem estratégias de forma eficaz.
Competição geopolítica: Ocidente VS Oriente
A procura global de minerais essenciais – como cobalto, lítio, níquel ou cobre – incrementou a concorrência geopolítica, particularmente entre os países ocidentais e a China. Há muito que a China estabeleceu uma posição dominante na exploração mineira africana, controlando 72% das minas de cobalto e cobre na República Democrática do Congo (RDC) até 2022 e investindo fortemente em projectos de lítio na Namíbia e no Zimbabwe. Em resposta, as empresas ocidentais estão a aumentar os seus investimentos para garantir recursos essenciais para as baterias dos veículos eléctricos e para o armazenamento de energias renováveis.
Países como a Zâmbia e a Namíbia despertaram a atenção devido aos seus ambientes políticos estáveis e políticas previsíveis e equilibradas, contrastando com o perfil de risco mais elevado da RDC, apesar dos seus ricos depósitos. À medida que o papel determinante de África na transição energética se torna mais claro, os seus governos estão a repensar a posição da região nas cadeias de valor globais, deixando de ser meros fornecedores de matérias-primas para promover a criação de valor a jusante.
O Acordo da ZCLCA tem por objetivo acelerar o comércio intra-africano, harmonizar as infra-estruturas logísticas e energéticas e promover a produção local. Ao resolver as ineficiências e ao promover um ambiente regulamentar previsível, o AfCFTA cria um quadro propício ao fabrico local de equipamento mineiro e ao benefício, a jusante, de minerais críticos.
Actualmente, grande parte do equipamento mineiro africano é importado. Esta dependência representa oportunidades perdidas para a transferência de competências, a criação de emprego e o desenvolvimento industrial. As regras de origem da ZCLCA preveem tarifas preferenciais para os produtos fabricados no continente, incentivando os investidores globais a estabelecer instalações em África e a integrar os produtos locais nas suas cadeias de abastecimento. A expansão de tais iniciativas poderia desbloquear novas economias e melhorar as comunidades em todo o continente.
Alinhamento de políticas é fundamental
O tema da feira ‘Mining Indaba 2025’, ‘Futureproofing Mining Today’, sublinha a necessidade de os governos e operadores alinharem as políticas, o investimento e o envolvimento da comunidade com vista a criar economias resilientes e inclusivas. Os governos africanos devem promover a confiança dos investidores através de quadros regulamentares estáveis e transparentes, dando simultaneamente prioridade às práticas ambientais, sociais e de governação a (ESG, sigla em inglês).
A criação de plataformas de comércio de minerais no continente é outro passo fundamental, garantindo que uma parte significativa das receitas permaneça em África para apoiar o desenvolvimento económico local. As plataformas poderiam servir de centros de agregação de valor, em especial para os minerais de bateria, permitindo a África captar uma parte maior do mercado mundial de energia verde.
O sector mineiro africano ganha um potencial transformador à medida que o mundo faz a transição para a energia verde. Tirando partido do interesse ocidental, promovendo a localização através da ZCLCA e adoptando a inovação, o continente pode posicionar-se como líder mundial nas cadeias de valor dos minerais essenciais.