Aumento da produção do milho ainda não cobre necessidades dos angolanos
O Governo angolano divulgou, ontem, terça-feira, dia 10, que a produção de milho atingiu 3,6 milhões de toneladas, na campanha agrícola 2024-25, mas foi necessário importar mais 350 mil toneladas, que custaram 123 milhões de dólares para responder à demanda nacional, refere o comunicado a que a agência Lusa teve acesso.
Segundo o ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola, José de Lima Massano, que liderou um encontro entre o Executivo, os industriais e produtores de milho, continua a haver necessidade de aproximação destes dois operadores de mercado e o Governo deve fazer essa ponte.
O dirigente destacou que as necessidades do cereal são crescentes, por haver cada vez mais procura, e o país ainda não conseguiu alcançar a auto-suficiência na produção do mesmo. “Nós entendemos que, em relação ao milho, para atingirmos absoluta segurança, teremos de triplicar o que produzimos hoje, termos condição de irmos constituindo stocks de reserva, mas é necessário fazermos esse exercício com segurança. Quem produz tem de ter garantia de acesso ao mercado, quem está na indústria transformadora também tem de ter a garantia que, sendo necessário, o milho estará disponível”, referiu Massano.
O ministro de Estado para a Coordenação Económica frisou que esta é uma cultura importante e está no centro da agenda da segurança alimentar do país, defendendo o aumento do volume de produção e mais produtores, “quer sejam de matriz empresarial ou familiar.”
Ainda na sua intervenção, apelou aos produtores e aos industriais uma maior articulação de informação e diálogo entre si, manifestando disponibilidade de intermediação do Governo nesta relação.
“O que vai ocorrendo é que os produtores, aqueles que estão no sector primário, dizem-nos muitas vezes que não conseguem colocar a sua produção, mas depois temos os industriais que dizem que nem sempre conseguem encontrar o produto”, explicou.
Face à situação, o Governo é obrigado, apesar de continuar firme na protecção aos produtores nacionais, “pontualmente, a autorizar a importação de milho” para se manter o ciclo produtivo, salientou. “Sempre que ocorre uma autorização para a importação de milho, temos reacções menos positivas dos produtores, por alegadamente terem milho disponível, mas os industriais nem sempre conseguem identificar esse milho”, enfatizou.
José Massano alerta para a necessidade de reforçar a produção de milho, criar stocks de reserva e garantir mercado para produtores e indústria.
Em declarações à imprensa, o presidente das Indústrias Moageiras de Milho, António Aragão, afirmou que estas actualmente adquirem 30% do milho nacional para a sua produção, sendo as restantes quantidades importadas.
O líder associativo frisou que a maior produção e com maior qualidade encontra-se no corredor entre as províncias de Malanje e Cuanza Norte, mas outras localidades no sul de Angola, como Huambo e Benguela, têm dado alguns sinais positivos.
Aragão apontou como principal desafio o acesso a divisas para a importação de 70% da sua principal matéria-prima, sendo a qualidade das estradas e os custos altos de transporte do produto os problemas que enfrentam para a aquisição da produção local.