Angola será uma superpotência africana nos sectores dos diamantes e do petróleo, refere presidente da ADC
Angola está prestes a afirmar-se como uma “verdadeira superpotência africana” na convergência dos sectores dos diamantes e do petróleo até 2026, de acordo com M’zée Fula Ngenge, presidente do Conselho Africano dos Diamantes (ADC, sigla em inglês), ao publicação “Mercados”.
No sector diamantífero, M’zée Fula Ngenge destacou, com particular orgulho, a trajectória recente de Angola, lembrando que o país já ultrapassou o Botswana em termos de valor total e preço médio por quilate, posicionando-se como o principal produtor africano nesta métrica. “É uma conquista na qual temos vindo a trabalhar há vários anos”, sublinhou, atribuindo os resultados a reformas estruturais e a uma maior sofisticação do mercado.
A presença de multinacionais, como a De Beers e a Rio Tinto, é, de acordo com o responsável, um sinal claro da maturidade do sector e do reforço da confiança no enquadramento regulatório angolano. Para o presidente do ADC, Angola tem conseguido atrair “um conjunto significativo de investidores” dispostos a apoiar a transição para uma indústria mais eficiente, transparente e alinhada com as exigências internacionais de rastreabilidade e boas práticas.
Num momento em que o país celebra meio século de independência, M’zée Fula Ngenge defende que a próxima etapa deve ser marcada por resultados visíveis e consistentes, capazes de sustentar as próximas cinco décadas de desenvolvimento.
O desafio passa, afirmou, por transformar o actual ciclo de reformas numa plataforma de longo prazo que consolide Angola como referência regional não apenas em recursos naturais, mas também em governação, valor acrescentado local e capacidade industrial.
É neste contexto que o responsável lança o desafio para 2026: demonstrar ao mundo que a combinação entre a liderança africana em diamantes e a relevância estratégica no petróleo pode traduzir-se num novo estatuto geopolítico. Comparando Angola com países como a Nigéria e o Botswana, recordou que o país ocupa já o primeiro lugar africano nos diamantes e o segundo no petróleo, uma equação que abre espaço para a construção de uma narrativa de “superpotência” assente em resultados concretos.
Entretanto, M’zée Fula Ngenge apontou para a intenção de usar o peso dos recursos naturais como âncora de um novo ciclo de investimento, parcerias e desenvolvimento económico, com impacto real e sustentável na próxima geração de crescimento.