Angola quer organizar rede de desembarque de pescado e atrair investimento

Angola possui actualmente 220 locais de desembarque de pescado ao longo da sua costa atlântica, dos quais 115 são informais, situação que o Governo pretende ultrapassar através de um processo de organização e modernização das infra-estruturas.

A informação foi avançada pela ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen dos Santos, ontem, quarta-feira, dia 16, durante a abertura da VI edição da Conferência E&M sobre “Economia Azul”, realizada em Luanda sob o tema “Do Potencial Marítimo ao Fomento Industrial – Infra-estruturas Portuárias e de Transporte, Transformação e Novas Cadeias de Valor”.

Segundo a governante, os locais informais de desembarque entram igualmente em conflito com outras actividades e ocupações existentes ao longo da costa marítima angolana, tornando necessária uma intervenção estruturada para ordenar o sector.

Carmen dos Santos explicou que o Ministério está a desenvolver um trabalho de reorganização dos locais de desembarque, que deverá estar concluído no próximo ano. O objectivo é dotar estas estruturas de condições básicas para o funcionamento da actividade pesqueira e para a conservação e comercialização do pescado.

Entre as necessidades identificadas estão a instalação de gelo, água, energia eléctrica, sistemas de conservação, serviços de inspecção sanitária, manutenção de embarcações, transporte adequado e outras operações de apoio à actividade pesqueira. “É neste tipo de iniciativas que nós trazemos a oferta que vimos fazendo, que é trazer investimento de qualidade público e privado”, afirmou a ministra.

A responsável defendeu que o investimento não deve limitar-se à construção das infra-estruturas, devendo incluir também a sua manutenção e a prestação de serviços de apoio às embarcações que operam nas águas territoriais angolanas.

Corredor do Lobito como via de escoamento

A ministra destacou igualmente o potencial do Corredor do Lobito para facilitar o escoamento do pescado e de outros produtos, como o sal, para os mercados regionais.

A infra-estrutura ferroviária liga o litoral angolano, através do Porto do Lobito, à República Democrática do Congo e à Zâmbia, criando uma ligação entre a costa e os mercados do interior da região.

“É esta ligação que os corredores nos trarão, olhando para a ligação do litoral até às terras do leste, cobrindo efectivamente toda a área continental de Angola”, afirmou Carmen dos Santos.

Para a governante, esta ligação poderá contribuir para uma exportação regional mais estruturada e com maior impacto na economia angolana. Para isso, acrescentou, será necessário reforçar a organização do sector e criar condições adequadas ao longo da cadeia de produção e comercialização.

Banca pede projectos estruturados

A questão do financiamento esteve igualmente em destaque na conferência. O director de Grandes Empresas do Standard Bank Angola, André Reigota, salientou que Angola disputa actualmente capital com outros países africanos num contexto de recursos financeiros limitados.

O responsável estimou em cerca de 100 biliões de dólares por ano o défice de financiamento do continente africano, defendendo que Angola precisa de apresentar projectos devidamente estruturados para aumentar as possibilidades de acesso a esse capital.

“Angola não está sozinha a competir por um capital que é escasso, mas que existe”, afirmou.

André Reigota considerou fundamental que o país seja capaz de apresentar e estruturar projectos de forma eficiente e célere, de modo a posicionar-se melhor na procura pelo financiamento disponível no continente.

O gestor acrescentou que a banca tende a responder melhor a projectos com maior previsibilidade e uma adequada.

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