Desemprego juvenil atinge 67 milhões e África enfrenta fortes pressões no mercado de trabalho

O desemprego entre os jovens voltou a aumentar em 2025, num contexto marcado pelo abrandamento do crescimento económico, pelas tensões geopolíticas e pela criação mais lenta de postos de trabalho, dificultando a entrada das novas gerações no mercado laboral, alertou a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

De acordo com o mais recente relatório da organização, a taxa mundial de desemprego entre os jovens dos 15 aos 24 anos subiu para 12,4% em 2025, contra 12,3% em 2023, correspondendo a cerca de 67 milhões de jovens desempregados em todo o mundo.

A evolução representa uma inversão da tendência de recuperação observada depois da pandemia de covid-19 e revela não apenas dificuldades na criação de empregos, mas também uma deterioração da qualidade das oportunidades disponíveis para os jovens.

A OIT alerta igualmente para o aumento da população jovem que não trabalha, não estuda nem frequenta qualquer formação, designada pela sigla inglesa NEET. Esta proporção atingiu 20%, o equivalente a mais de 257 milhões de pessoas.

Segundo a organização, a deterioração foi registada em oito das 11 sub-regiões analisadas entre 2023 e 2025, abrangendo economias de diferentes níveis de rendimento.

África Subsaariana mantém desafios estruturais

Embora os Estados Árabes, com uma taxa de desemprego juvenil de 26,2%, e o Norte de África, com 22,6%, apresentem os níveis mais elevados, a situação na África Subsaariana continua particularmente preocupante devido ao peso da população jovem, à insuficiente criação de empregos formais e à elevada incidência de trabalho informal.

A pressão sobre os mercados de trabalho africanos deverá aumentar nas próximas décadas, à medida que milhões de jovens entram anualmente em idade activa. Para a região, o desafio não passa apenas por reduzir o desemprego, mas também por criar empregos produtivos, estáveis e capazes de acompanhar o crescimento da população em idade laboral.

A OIT destaca ainda a redução dos empregos de qualificação intermédia, nomeadamente nas áreas administrativas, de escritório, vendas e indústria transformadora, sectores que tradicionalmente funcionam como uma porta de entrada para os jovens que concluem o ensino secundário ou superior.

“A redução dos empregos associados às profissões de qualificação intermédia significa filas de espera mais longas e um aumento do desemprego entre os jovens com educação secundária que procuram essas oportunidades”, refere o relatório.

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