Uganda declara fim do surto de Ébola

O Uganda declarou oficialmente o fim do mais recente surto de Ébola no país, depois de completar 42 dias sem registar novos casos da doença, anunciou esta terça-feira o Ministério da Saúde ugandês, citada pela agência Reuters.

No Uganda, o surto, causado pelo vírus Bundibugyo, teve início em Maio e resultou em 20 casos confirmados e duas mortes. A maioria das infecções esteve relacionada com pessoas que atravessaram a fronteira provenientes da República Democrática do Congo (RDC), onde a doença já provocou mais de mil mortes.

A declaração de fim do surto ocorre após as autoridades sanitárias ugandesas completarem o período de vigilância recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O último paciente foi libertado de um centro de tratamento em Junho, não tendo sido identificados novos casos durante o período subsequente de monitorização.

A OMS tinha informado, em meados de Julho, que o Uganda não registava novos casos desde 21 de Junho. Na altura, as autoridades já tinham iniciado a contagem decrescente de 42 dias necessária para declarar o fim do surto, desde que não surgissem novas infecções.

RDC com transmissão muito activa ainda

O ministro da Saúde do Uganda, Chris Baryomunsi, apelou, contudo, à manutenção da vigilância e das medidas de saúde pública. A declaração de país livre de Ébola não significa o desaparecimento do risco, sobretudo devido à proximidade com a RDC, onde a transmissão continua activa.

A situação na RDC permanece particularmente preocupante. O país enfrenta um surto provocado pelo mesmo vírus Bundibugyo, com milhares de casos confirmados e mais de mil mortes registadas. A proximidade geográfica e os movimentos transfronteiriços mantêm o Uganda exposto a possíveis novas importações da doença.

As autoridades ugandesas destacam que a experiência acumulada em anteriores surtos de Ébola permitiu reforçar a vigilância epidemiológica, o rastreio de contactos e a capacidade de resposta rápida. Estas medidas foram fundamentais para limitar a transmissão e impedir que o surto adquirisse uma dimensão mais ampla.

Apesar do anúncio, o Uganda deverá manter sistemas reforçados de vigilância e resposta, particularmente nas regiões fronteiriças com a RDC. A OMS também continua a acompanhar a evolução da doença na região e a apoiar os países afectados e em risco.

A declaração marca, assim, uma importante vitória das autoridades sanitárias ugandesas, mas ocorre num momento em que a África Central continua a enfrentar uma grave emergência de saúde pública relacionada com o Ébola.

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