Hospital de Queimados reforça rede de referência para casos complexos

O Hospital de Queimados “Presidente Julius Nyerere” vai reforçar a rede nacional de referência no tratamento de pacientes com queimaduras de elevada complexidade, afirmou, este domingo, em Luanda, o director-geral do Instituto de Especialização em Saúde, Jamel Kitumba.

A afirmação foi feita durante o Seminário Nacional de Abordagem ao Paciente Queimado, promovido pelo Ministério da Saúde, que visou uniformizar os procedimentos de referenciação dos pacientes queimados.

Segundo o responsável, citado pela Angop, a nova unidade não substituirá o atendimento prestado nas demais instituições sanitárias do país, mas integrará o sistema nacional de referenciação, recebendo os pacientes com lesões mais graves após avaliação clínica nas unidades de saúde de origem.

Explicou que os pacientes devem continuar a procurar os serviços de saúde mais próximos para receber os primeiros cuidados e após a avaliação clínica, os casos que necessitem de assistência altamente diferenciada serão encaminhados para o hospital especializado.

Para o director, o novo Hospital de Queimados representa um passo decisivo para o fortalecimento da rede nacional de assistência especializada, permitindo melhorar a articulação entre os diferentes níveis do Sistema Nacional de Saúde, reduzir o tempo de resposta, a mortalidade e minimizar as sequelas provocadas pelas queimaduras de elevada complexidade.

O novo Hospital dos Queimados Presidente Júlio Nyerere contará com 252 camas num edifico de seis andares, que inclui blocos operatórios com seis salas cirúrgicas.

No domínio da formação, Jamel Kitumba anunciou que o Ministério da Saúde iniciou, em 2025, um programa emergencial que abrange quatro mil enfermeiros, distribuídos por especialidades como cuidados intensivos, emergência e trauma, anestesiologia e reanimação, bem como dermatologia com ênfase em feridas.

Entre os formandos, 200 enfermeiros encontram-se na fase final da especialização e deverão concluir a formação em Dezembro deste ano.

O orador anunciou igualmente o arranque de um programa de mestrado em Saúde da Família, desenvolvido em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz do Brasil.

O curso terá duração de dois anos e contará inicialmente com 54 profissionais de saúde seleccionados através de concurso público.

Por sua vez, a directora clínica do Hospital Geral Especializado Neves Bendinha, Antonieta Guilherme, revelou que, após a reabilitação da unidade em 2023, foi possível reduzir a taxa de mortalidade em 50% e aumentar o número de cirurgias em cerca de 60%.

Segundo a especialista, as crianças entre zero e quatro anos, principalmente do sexo masculino, constituem o grupo mais afectado.

Explicou que o hospital recebe, em média 20 pacientes queimados por dia, dos quais cerca de cinco necessitam de internamento.

As principais causas continuam a ser acidentes domésticos com líquidos super aquecidos, sobretudo entre crianças.

A directora clínica apelou às famílias para reforçarem as medidas de prevenção, evitando a permanência de crianças nas cozinhas durante a preparação das refeições, bem como o manuseamento de fogões e recipientes com líquidos quentes.

Recomendou igualmente maior atenção à segurança no trabalho, defendendo o uso de equipamentos de protecção individual por parte de pedreiros, electricistas e outros profissionais expostos ao risco de queimaduras, além da aquisição de botijas de gás apenas em estabelecimentos autorizados, para prevenir acidentes provocados por enchimentos irregulares.

O seminário reuniu cerca de 500 participantes presencialmente, além de centenas de profissionais que acompanharam os trabalhos de forma virtual.

A iniciativa contou ainda com especialistas brasileiros de hospitais de referência no tratamento de queimaduras, que partilharam experiências sobre a organização da assistência ao paciente queimado.

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