UEFA dá bofetada de luva branca na administração norte-americana ao nomear Omar Artan para apitar Supertaça Europeia

Impedido de entrar nos EUA, para participar no Mundial, por alegada “associação a membros suspeitos de pertencerem a organizações terroristas”, o somali Omar Abdulkadir Artan vai apitar o jogo da Supertaça Europeia, entre PSG e Aston Villa.

A UEFA anunciou, em forma de comunicado emitido através das plataformas oficiais ao início da tarde de ontem quinta-feira, que Omar Abdulkadir Artan é o homem eleito para apitar o jogo da Supertaça Europeia, entre Paris Saint-Germain e Aston Villa, que terá lugar no próximo dia 12 de Agosto, na Red Bull Arena, em Salzburgo, na Áustria.

A decisão de nomear o árbitro somali para o tão aguardado embate entre o vencedor da Liga dos Campeões e o da Liga Europa surge escassos dias depois de o próprio ter sido impedido de entrar nos Estados Unidos da América, para participar no Campeonato do Mundo, por alegada “associação a membros suspeitos de pertencerem a organizações terroristas”, constituindo um autêntica bofetada de luva branca do organismo que gere o futebol a nível europeu à administração norte-americana liderada por Donald Trump.

O organismo que rege o futebol europeu justifica a opção como resultado do “Memorando de Entendimento recentemente assinado com a CAF para encorajar a cooperação em várias áreas, incluíndo a da arbitragem”, em nome de “um compromisso comum de desenvolver o futebol a todos os nível e de promover os valores centrais de unidade, igualdade e não discriminação.”

“Omar Artan é um árbitro excelente e jovem, mas já experiente árbitro, que provou o que vale ao mais elevado nível de competição da Confederação Africana de Futebol. O futebol é feito para ligar pessoas, e a UEFA quer demonstrar o seu respeito para com o Omar e as suas extraordinárias qualidades de arbitragem, que lhe tinham merecido uma tão prestigiante nomeação”, afirmou o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin.

“Omar Artan deixou a Somália e todo o povo do continente africano extremamente orgulhosos. O facto de ter recebido o prémio de Árbitro Masculino do Ano da CAF, em 2025, e a sua nomeação como árbitro para o Campeonato do Mundo de 2025 da FIFA são um reconhecimento da sua qualidade de arbitragem de classe mundial e do respeito internacional de que desfruta”, acrescentou o líder máximo da CAF, Patrice Motsepe.

“Estou muito grato ao meu amigo, Aleksander Ceferin, por permitir a Omar Artan arbitrar o jogo da Supertaça Europeia de 2026. Esta é uma grande honra para o Omar Artan e para os árbitros africanos, e é também um excelente exemplo de como o futebol pode juntar e unir os povos de África, da Europa e de todo o mundo”, completou.

Esta nomeação surge pouco mais de 24 horas depois de o próprio Omar Abdulkadir Artan ter feito saber ao jornal norte-americano ‘The New York Times’ que foi interrogado durante 11 horas, no Aeroporto Internacional de Miami, antes de ter sido detido e colocado num voo de volta à capital turca de Istambul, sem receber qualquer tipo de explicação. “Estou muito, muito desiludido. Eu sou, simplesmente, um árbitro que está a tentar viver o seu sonho, o maior sonho da minha vida, que é estar num Mundial”, lamentou o juiz natural de Mogadíscio, na Somália, que garantiu que estava na posse dos “documentos certos” e do “visto certo” para entrar no país.

“Eu acho que eles têm um problema com o meu país”, desabafou, ainda. A mesma publicação acrescenta que, na lista de sanções elaborada pelo ministério dos Negócios Estrangeiros dos EUA, um nome semelhante ao do árbitro surge como estando ligado ao grupo militar somali Al Shabab, pelo qual o próprio terá sido questionado por várias vezes.

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