Moçambique é alternativa energética para o mundo, diz presidente da União Africana

O presidente da comissão da União Africana disse ontem, quinta-feira, dia 11, em Maputo, que Moçambique é alternativa energética para África e o mundo face à crise causada pelo conflito no Médio Oriente, e criticou atrasos no financiamento climático global.

“Hoje, Vossa Excelência está a posicionar-se como uma alternativa energética estratégica no mar. Face ao que se passa nos países do Golfo e à guerra no Irão, Moçambique é agora visto como uma alternativa energética ‘offshore'”, disse o presidente da comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, presente na abertura da 3.ª Conferência Crescendo Azul, que decorre até hoje, sexta-feira, dia 12, em Maputo.

Segundo o responsável, Moçambique tem potencial para ser o epicentro da economia azul a nível mundial devido à sua localização geográfica, que permite acesso ao mar e aos recursos de que dispõe, indicando que é importante no desenho de estratégias continentais para os desafios da economia e escoamento dos produtos marinhos e outros essenciais para África, sobretudo.

Neste sentido, adiantou que a União Africana tem duas estratégias, nomeadamente, a de desenvolvimento marinho africano, protecção oceânica e conservação costeira, e outra para a economia azul, adiantando que sem a cooperação regional e continental não se podem alcançar resultados concretos.

“Precisamos dos alicerces das regiões para construir a nossa agenda continental. A integração começa pelas regiões. Hoje, Moçambique está a mostrar o caminho”, disse referindo-se ao Centro Regional de Coordenação de Monitorização, Controlo e Fiscalização das Pescas da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), na Katembe, cidade de Maputo, inaugurado ontem.

Economia Azul gera dezenas de milhares de milhões de dólares

Mahmoud Ali Youssouf disse que a economia azul já gera “dezenas de milhares de milhões de dólares” em receitas anualmente, mas lembrou que a conferência que decorre em Maputo acontece num contexto de desafios para o continente.

“Os desafios sanitários e climáticos estão a recrudescer. Países como Moçambique, Madagáscar e os Estados insulares são regularmente atingidos por ciclones devastadores. Apesar disso, a justiça climática e os financiamentos esperados para os nossos planos de adaptação tardam a concretizar-se”, lamentou.

Segundo a União Africana, o continente enfrenta a pesca ilícita, atos criminosos em alto mar e o terrorismo, que “perturbam” os planos de desenvolvimento, elogiando os esforços de Moçambique na busca de soluções que beneficiem toda África.

Neste sentido, disse que é preciso que a África priorize uma governação integrada e sustentável dos oceanos, apostando no investimento em infraestruturas, inovação e tecnologia e uma economia azul inclusiva que coloca as comunidades no centro das suas prioridades.

No mesmo evento, o presidente da Fundação para Conservação da Biodiversidade (Biofound), Carlos dos Santos, disse que o país enfrenta desafios na preservação da biodiversidade,

pedindo aposta na divulgação de mais estudos e investimentos em tecnologias para gerir os recursos marinhos de forma sustentável. “A degradação de ‘habitats’ críticos, a pesca ilegal, a erosão costeira, a poluição, a pressão demográfica sobre a zona costeira e os impactos crescentes das mudanças climáticas constituem ameaças reais à biodiversidade e ao bem-estar das comunidades que dependem directamente destes recursos”, disse o responsável, ao intervir na 4.ª conferência da biodiversidade marinha, integrada na 3.ª Conferência Crescendo Azul.

O Governo moçambicano admitiu que o país ainda enfrenta a pesca ilegal e a destruição de mangais, com a poluição, erosão costeira e impacto de mudanças climáticas, pedindo mais investigação científica, a melhoria dos sistemas de fiscalização e o fortalecimento das áreas de conservação marinha, transformando-se conhecimento em políticas públicas.

Notícias relacionadas
Comentários
Loading...