Angola prevê que dívida à China se situe nos 8 mil milhões de USD até final do ano
Os empréstimos de Angola à China garantidos através do petróleo vão cair para cerca de 7,5 mil milhões de dólares a 8 mil milhões de dólares até ao final do ano, revelou o director do Gabinete de Gestão da Dívida do país, numa altura em que o Governo procura reduzir a sua dependência dos financiamentos garantidos pelos recursos naturais, informou a Reuters, ontem, quinta-feira, dia 24.
“Toda a dívida garantida pelas receitas do petróleo está concentrada nos acordos com a China, que têm vindo a ser gradualmente reduzidos nos últimos anos”, afirmou Dorivaldo Teixeira, director da Unidade de Gestão da Dívida do Ministério das Finanças.
Angola tem tentado reduzir a sua exposição a empréstimos garantidos por recursos naturais, num contexto externo mais difícil, marcado pela volatilidade dos preços das matérias-primas, pelo aumento das taxas de juro e pela alteração da percepção do risco.
Os empréstimos garantidos pelo petróleo à China ascendiam a 10,4 mil milhões de dólares no final do ano passado, segundo dados oficiais, e já tinham caído para 8,9 mil milhões de dólares no final do mês passado.
Angola deixou de contratar empréstimos garantidos por activos com a China em 2017, segundo Teixeira: “O Governo adoptou uma abordagem mais cautelosa e transparente na contratação de financiamento externo”, afirmou.
O país suspendeu os planos de venda de dívida nos mercados de capitais internacionais por enquanto, acrescentou Teixeira, citando o cenário externo incerto. Em Abril, Angola teve de pagar 200 milhões de dólares ao JPMorgan como garantia adicional para a sua obrigação com garantia, numa chamada de margem, depois da turbulência tarifária nos Estados Unidos da América (EUA) ter provocado uma queda acentuada dos preços do petróleo e ter afectado as obrigações emitidas pelos chamados mercados fronteiriços – economias emergentes mais pequenas e mais arriscadas.
“O aumento da dívida interna no primeiro semestre de 2025 reflecte uma estratégia de ajustamento deliberada em resposta a uma conjuntura externa desfavorável”, frisou o representante.
O endividamento interno aumentou no primeiro semestre deste ano, segundo dados da unidade de gestão da dívida, em comparação com o mesmo período do ano passado.
“O Governo optou por aumentar a sua dependência do mercado interno, que tem demonstrado maior resiliência e capacidade de reacção”, concluiu Dorivaldo Teixeira.