Moçambique prepara-se para subida de preço de combustível enquanto se assiste ruptura no mercado
A agitação sobre a procura de combustível no país tem sido enorme e já vem se registando há mais de duas semanas. A maioria dos postos de abastecimento estão sem esse recurso desde que iniciou a guerra no Médio Oriente, ou seja, as rupturas são constantes. Que se diga, o sistema de abastecimento está ao limite, mas as autoridades desdramatizam a situação, afirmando não haver ainda ruptura de stock.
De acordo com o site da revista Economia & Mercado, o cenário já começou a provocar impactos na economia, sobretudo na área de transporte, que depende deste precioso líquido para a sua atividade. A cada dia, a situação vai-se agudizando e alastrando para o resto do país, ameaçando, de certa forma, a economia.
Na capital moçambicana, Maputo, por exemplo, a situação piorou esta semana, havendo vários postos de abastecimento espalhados sem combustível há vários dias. E os que têm, o abastecimento segue a rigor: quantidades limites para cada cidadão por forma a chegar para todos, mas com filas de automóveis a fazer mais de um quilómetro na maioria das vezes.
O cenário acontece um pouco por todo o território nacional, onde há províncias que possuem apenas dois ou três postos de abastecimento com combustível, obrigando os automobilistas a pernoitar nas filas à espera do abastecimento. A província de Tete, no centro de Moçambique, é um dos casos em que chegou a ter apenas um posto de abastecimento de combustível nesta quarta-feira.
E a rotina diária tem sido a mesma em todo o território nacional, gasta-se o pouco em busca de mais combustível.
Paralisação à vista, mas o preço vai agravar-se
Enquanto persistirem os problemas no abastecimento de combustível, as ameaças de paralisação de algumas actividades é quase um cenário certo. A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO), uma agremiação que congrega transportadores semi-colectivos urbanos e interprovinciais, garante não haver outra alternativa senão suspender as actividades alegadamente devido à insustentabilidade do negócio.
“Teremos que parquear os autocarros se a crise persistir. Estamos a somar prejuízos, então a única saída que temos é paralisar as actividades até que o abastecimento de combustível volte ao normal”, adverte o presidente da agremiação, Castigo Nhamane.
De acordo com a FEMATRO, o aviso deve-se ao facto dos operadores de transportes estarem a viver um verdadeiro teste de paciência e resiliência, devido à falta de combustível, sobretudo a gasolina.
Entre as longas filas e incertezas estavam os operadores de transporte semi-colectivo de passageiros, que contaram que muitas vezes gastam o pouco combustível que têm à procura de mais. Quando amanhece, em vez de transportar passageiros, põem-se em chamadas para saber que postos têm reservas.
Para o Juiz Conselheiro do Tribunal Supremo, Carlos Mondlane, Moçambique está a enfrentar uma das piores crises de combustível desde o período pós-colonial que poderá precipitar a estagnação dos sectores produtivos. “As filas enormes dos automobilistas em busca de combustível estão a provocar sem dúvidas uma estagnação dos sectores de actividades”, defendeu o Juiz Conselheiro.
Recorde-se que na segunda-feira, o Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, alertou que a crise de combustíveis provocada pela guerra no Médio Oriente pode chegar a Moçambique a qualquer momento. Falando na abertura da segunda sessão ordinária da Organização da Juventude Moçambicana (OJM, braço juvenil da Frelimo), Chapo pediu a aposta no transporte público para mitigar a crise, sublinhando que “a prioridade do Governo, ao disponibilizar viaturas para transporte público em todo o país”.
“Ao colocarmos as viaturas para os 15 municípios da zona centro e norte e no próximo mês de Maio para a zona sul, é exactamente para anteciparmos a crise de combustíveis que a qualquer altura pode chegar, por causa da guerra entre o Irão, Estados Unidos e Israel. Com transporte público podemos minimizar o impacto desta crise”, referiu Daniel Chapo que é também presidente da Frelimo, partido no poder.
Mas os preços vão subir. Segundo Chapo, caso o conflito no Médio Oriente prevaleça, poderá elevar o custo de combustíveis e de vida em Moçambique. “Como sabem boa parte dos combustíveis saem daquela zona e sem margem de dúvida que tarde ou cedo, ao nível do nosso país também os novos preços vão ter que chegar, é um desafio global”, adiantou.