Kwanza vai entrar no sistema de liquidação da SADC

O Kwanza vai ser aceite como moeda de liquidação no sistema de pagamentos da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), faltando apenas a cerimónia de formalização, anunciou, ontem, quarta-feira, dia 15, o governador do Banco Nacional de Angola (BNA) Manuel Tiago Dias.

Falando no final da 103.ª reunião do Comité de Política Monetária (CPM), realizada em Malanje, Manuel Tiago Dias afirmou que os trabalhos relativos à integração do kwanza no sistema de liquidação em tempo real da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), conhecido por SADC-RTGS, estão concluídos.

“O kwanza foi aceite como moeda de liquidação deste sistema. Os testes foram coroados de êxito e estamos apenas à espera da cerimónia oficial para que, formalmente, o kwanza passe a ser aceite como moeda de liquidação da SADC”, declarou.

A sigla inglesa SADC-RTGS (Real-Time Gross Settlement) designa a plataforma através da qual os bancos centrais e as instituições financeiras participantes liquidam entre si pagamentos transfronteiriços na região.

O governador fez questão de esclarecer que a medida não significa que os pagamentos passem a ser efectuados em kwanzas nos restantes países aderentes, sublinhando que cada Estado mantém a sua soberania monetária.

“Não serão aceites pagamentos em kwanzas nos países aderentes. Aliás, nós não estimulamos, de maneira nenhuma, que os pagamentos sejam feitos em numerário”, afirmou, acrescentando que o kwanza continua a ser a moeda com poder liberatório em todo o território nacional angolano.

Segundo o responsável, o mecanismo permitirá que as empresas angolanas recorram aos bancos comerciais aderentes ao sistema para efectuar pagamentos de bens e serviços a parceiros estabelecidos noutros países participantes, utilizando a moeda nacional. Manuel Tiago Dias explicou que a adesão ao sistema é facultativa para a banca comercial e que o Banco Nacional de Angola (BNA) não imporá qualquer obrigação nesse sentido.

“O banco comercial que quiser aderir ao sistema poderá fazê-lo”, afirmou, precisando que as empresas terão de recorrer a um banco aderente, que por sua vez ordenará a operação ao seu correspondente na região.

O anúncio surge na sequência da assinatura, a 8 de Julho, em Luanda, de um memorando de entendimento entre o BNA e o Banco Central da República Democrática do Congo (RDC), com vista ao reforço da integração financeira entre os dois países.

O memorando, assinado por Manuel Tiago Dias e pelo governador do Banco Central do Congo, André Wameso Nkualoloki, abrange domínios como a integração dos sistemas de pagamento, a política monetária e cambial, a interoperabilidade dos meios de pagamento digitais, a gestão das reservas internacionais e a supervisão bancária.

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