Fitch mantém rating de Angola em B-

A agência de notação financeira Fitch Ratings decidiu manter o rating de Angola em B-, com perspectiva de evolução estável, salientando o risco de haver uma “derrapagem na despesa” devido às eleições do próximo ano, noticiou a agência Lusa, ontem, segunda-feira, dia 11.

“A perspectiva estável reflecte a nossa opinião de que os riscos para o rating estão, em geral, equilibrados; preços mais elevados do petróleo podem gerar receitas extraordinárias, apoiando a consolidação orçamental e as reservas externas, mas este potencial de valorização é contrabalançado pelo risco de derrapagem nas despesas, particularmente no contexto de aproximação das eleições” de 2027, diz a Fitch numa nota divulgada.

Na nota, os analistas alertam ainda que “a recuperação esperada da produção de petróleo permanece incerta, podendo potencialmente anular alguns dos ganhos.”

A Fitch Ratings decidiu manter a opinião sobre a credibilidade do país para honrar os compromissos financeiros, mantendo a nota de B-, abaixo do nível de credibilidade, ou em ‘lixo’, como é geralmente referido, devido a “indicadores de governação fracos, inflação elevada, níveis elevados de dívida pública em moeda estrangeira e uma das maiores dependências de matérias-primas entre os países avaliados”.

Por outro lado, acrescenta, “estas limitações são compensadas por excedentes da balança corrente e reservas internacionais acima da média dos pares, bem como por um rácio da dívida pública em declínio”.

A Fitch prevê que as reservas internacionais aumentem em 2026, proporcionando uma reserva externa adequada, apesar das grandes amortizações da dívida externa de 3% a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) previstas até 2027 e de um pico ainda maior, em 2028.

O excedente da balança corrente deve “aumentar significativamente em 2026, face aos 0,4% registados em 2025, devido aos preços e à produção de petróleo mais elevados, à medida que novos campos petrolíferos entram em produção”.

A nível orçamental, a Fitch prevê que o défice das contas públicas do ano passado tenha ficado nos 4,5% do PIB, com um pequeno défice primário de 0,4%, e antevê que o saldo orçamental primário (descontando o pagamento de juros da dívida) seja positivo este ano, devido a um aumento das receitas do petróleo.

A dívida pública de 51% do PIB no final de 2025 deverá melhorar para menos de 46% este ano, graças aos excedentes primários e ao forte crescimento do PIB nominal, dizem os analistas, acrescentando que a dívida externa vale 72% do total, o que expõe o país ao risco da trajectória cambial.

Por último, a inflação deste ano deverá melhorar de 12,4%, em Março, para 10% em Dezembro, “sustentada pela estabilidade do kwanza, por política monetária restritiva mantida através de um ritmo cauteloso e gradual de novos cortes nas taxas de juro e pelos subsídios aos combustíveis, que protegem os consumidores do impacto do preço do petróleo nos preços de retalho”.

Notícias relacionadas
Comentários
Loading...