Expedição científica procura reforçar combate às picadas de serpentes em Angola

Uma expedição científica que reúne instituições angolanas e brasileiras está a desenvolver trabalhos de campo para aprofundar o conhecimento sobre as espécies de serpentes existentes em Angola e contribuir para o reforço da resposta aos acidentes ofídicos no país.

A iniciativa, que arrancou a 23 de Setembro no Parque Nacional de Cangandala, província de Malanje, termina esta quinta-feira, dia 8, seguindo-se uma fase de investigação e análise do material recolhido no terreno.

A expedição envolve instituições de conservação ambiental e de investigação científica angolanas, em parceria com o Instituto Butantan, do Brasil. Participam igualmente a Universidade Rainha Njinga Mbande, que lidera a iniciativa, o Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação (INBAC) e o Centro Nacional de Investigação Científica (CNIC).

Entre os principais objectivos está a caracterização da fauna ofídica angolana, através da recolha de dados e de material biológico que possa servir de base a futuras pesquisas e ao desenvolvimento de soluções científicas adaptadas à realidade do país.

A investigação pretende, em particular, contribuir para a produção nacional de soros antiofídicos de elevada eficácia, reforçar a capacidade de resposta das unidades sanitárias aos casos de mordedura de serpente e reduzir a mortalidade associada aos acidentes ofídicos em Angola.

Dados escassos

Apesar da importância do problema, os dados disponíveis sobre a incidência das picadas de serpentes no país continuam a ser escassos. Questionado pela agência Lusa sobre a dimensão do fenómeno, o chefe de departamento das Áreas de Conservação do INBAC disse não dispor de dados sobre o número de casos registados.

Um artigo científico intitulado “Acidentes Ofídicos em Angola”, da médica e investigadora auxiliar do CNIC Paula de Oliveira, publicado em 2024, refere que o cenário epidemiológico dos acidentes ofídicos no país permanece desconhecido.

Segundo a investigadora, sobretudo nas zonas rurais, muitos pacientes não procuram ou não têm acesso aos serviços de saúde, o que dificulta o registo oficial dos casos e a consequente planificação da disponibilidade de soros antiofídicos.

O mesmo trabalho aponta ainda para a inexistência de soros nos hospitais públicos ou, nos casos em que estão disponíveis, para dúvidas relacionadas com a sua segurança e eficácia.

A expedição liderada pela Universidade Rainha Njinga Mbande, em parceria directa com o INBAC, é apresentada pelas instituições envolvidas como um contributo para o conhecimento, conservação e valorização da biodiversidade angolana.

A iniciativa deverá também permitir reforçar a investigação científica nas áreas de conservação, aprofundar o estudo da fauna e produzir informação que possa servir de base a futuras políticas e acções de conservação e gestão da biodiversidade.

A recolha de material biológico durante a expedição constitui, assim, uma das etapas de um processo mais amplo de investigação, que poderá contribuir não apenas para o conhecimento das espécies de serpentes existentes em Angola, mas também para o desenvolvimento de respostas mais adequadas aos acidentes ofídicos no país.

Notícias relacionadas
Comentários
Loading...