Estão garantidas doações de 500 milhões de USD para travar o surto de Ébola na RDC
De acordo com a agência Bloomberg, os compromissos financeiros, anunciados durante uma reunião virtual de responsáveis estatais na segunda-feira, dia 25, mais do que duplicaram face aos quase 208 milhões de dólares assegurados até 23 de Maio, segundo o director-geral dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), Jean Kaseya.
A crise de ébola no leste da República Democrática do Congo (RDC) já assegurou cerca de 500 milhões de dólares em promessas de financiamento internacional, numa altura em que líderes africanos e responsáveis internacionais de saúde alertam para o risco de propagação do surto a outros países do continente.
De acordo com a agência Bloomberg, os compromissos financeiros, anunciados durante uma reunião virtual de responsáveis estatais na segunda-feira, dia 25, mais do que duplicaram face aos quase 208 milhões de dólares assegurados até 23 de Maio, segundo o director-geral dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), Jean Kaseya.
Entre as principais contribuições destacam-se 160 milhões de dólares do Banco Mundial (BM) para RDC, 82 milhões de dólares dos Estados Unidos da América (EUA) e cerca de 57 milhões de dólares de parceiros europeus.
Jean Kaseya afirmou que os compromissos quase eliminaram o défice face aos 519 milhões de dólares estimados como necessários para a resposta à epidemia, embora tenha alertado que as necessidades financeiras deverão aumentar à medida que o surto se expande e os esforços de preparação forem alargados.
Surto tornou-se ameaça séria, diz Ramaphosa
Enquanto o ébola se propaga pelo leste do Congo, afectado por conflitos armados, o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, advertiu que o surto se tornou uma ameaça séria para o continente, citando o risco de expansão regional devido à insegurança, aos movimentos transfronteiriços e à fragilidade dos sistemas de saúde.
“A segurança sanitária é segurança económica”, afirmou Ramaphosa na segunda-feira, durante a reunião virtual. “É também segurança do desenvolvimento e segurança de todo o nosso continente.”
O chefe de Estado da África do Sul afirmou que o surto ocorre em zonas marcadas por “intensos movimentos populacionais, insegurança, fronteiras permeáveis, pressão humanitária e corredores comerciais activos”, factores que dificultam a contenção rápida da epidemia e aumentam a urgência de uma resposta africana coordenada.
“Já perdemos mais de 200 pessoas”, afirmou, apelando à “rapidez, unidade, solidariedade e confiança na nossa capacidade colectiva.”
Mais de 900 casos suspeitos de ébola foram reportados em 11 zonas de saúde em três províncias do leste congolês, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados no domingo, dia 24, à noite. Dados regionais indicam que o número de mortes suspeitas atingiu 210 até 23 de Maio. O Uganda reportou na segunda-feira dois novos casos, ambos envolvendo profissionais de saúde.
“A crise está a ser impulsionada pela rara estirpe bundibugyo do vírus ébola, para a qual actualmente não existem vacinas nem tratamentos com anticorpos aprovados”
De acordo com Jean Kaseya, dez países africanos, incluindo o Quénia e Angola, são actualmente considerados de alto risco para surtos internos devido às rotas conhecidas de viagem e às fronteiras permeáveis. Acrescentou ainda que todos os restantes países africanos correm o risco de importar casos devido à mobilidade regional e às fragilidades nos sistemas de vigilância e diagnóstico.
“O atraso na detecção do surto significa que estamos agora a tentar recuperar terreno perante uma epidemia que evolui muito rapidamente”, afirmou o director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante a reunião. “Travámos todos os surtos anteriores de ébola e vamos travar este também. A questão é apenas quão rapidamente o conseguiremos fazer e quantas mais vidas serão perdidas antes disso.”
Segundo a organização humanitária ActionAid, até um terço da população da província de Ituri acredita que o vírus não é real, o que levou a instituição a iniciar sessões de sensibilização para combater a desinformação.
“Não estamos apenas a combater um vírus mortal, estamos a combater mitos, medo e uma profunda desconfiança”, afirmou Saani Yakubu, director da ActionAid RDC, em comunicado.
A crise está a ser impulsionada pela rara estirpe bundibugyo do vírus ébola, para a qual actualmente não existem vacinas nem tratamentos com anticorpos aprovados. A OMS declarou a epidemia como Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional em 17 de Maio.