Criados cerca de 110 mil postos de trabalho em Angola no 1º semestre deste ano, revela Governo
Em Angola, foram criados 109.563 postos de trabalho formais durante o primeiro semestre deste ano, um resultado “animador”, mas ainda insatisfatório, de acordo com o Governo.
De acordo com a agência Lusa, a informação foi avançada nesta quinta-feira, dia 3, pelo secretário de Estado para o Trabalho e Segurança Social de Angola, Pedro Filipe, que falava durante uma conferência de imprensa de apresentação dos resultados do primeiro semestre do Ministério da Administração Pública, Trabalho e segurança Social (MAPTSS).
Temos estado a fazer um trabalho consistente e considerável. Os números são cada vez mais aceitáveis, mas ainda estão abaixo do desejável”, afirmou o secretário, acrescentando que a população em idade activa é de cerca de 17 milhões de pessoas, “das quais quase cinco milhões ainda se consideram desempregadas.”
“Doze milhões de pessoas estão empregadas, mas apenas pouco mais de três milhões têm empregos formalizados (…), portanto, temos pouco mais de nove milhões de cidadãos que trabalham e têm rendimentos, mas que ainda são motivo de preocupação porque estão em empregos informais”, anuiu.
Pedro Filipe considerou tratar-se de “um desafio grande”, com as autoridades a concentrarem-se no combate ao desemprego através da mobilização, sensibilização e recrutamento neste segmento informal, “que produz, que é importante para a economia, para o país, mas que precisa de um impulso para entrar no sector formal. Estamos a fazer progressos. Os números são encorajadores, mas ainda não estamos satisfeitos, porque não podemos ficar tranquilos enquanto 29% da força de trabalho está desempregada.”
Abril liderou em termos de empregos criados em Angola, com 20.997 postos de trabalho, seguido por Fevereiro, com 14.474, com uma média de 17.722 novos empregos criados por mês. Já as províncias que se destacaram em termos de empregabilidade foram a capital Luanda, com mais de 49% dos empregos criados, seguida por Benguela, Cabinda, Huíla, Malanje e Huambo.
Os desafios da formação profissional
O governante destacou que, graças aos centros de emprego, à modernização, à maior divulgação e à credibilidade das instituições, a procura por parte dos cidadãos e as ofertas das empresas aumentaram: “Neste semestre, observámos uma tendência interessante nos centros de emprego, com 35.445 ofertas de emprego e 35.190 candidatos. Tal dá-nos um sinal muito claro da reorganização dessas unidades”, referiu, observando que estão em andamento os preparativos para o Observatório Nacional do Emprego, que deverá iniciar as suas actividades no final de Julho.
Ainda segundo o secretário de Estado angolano, 112.610 pessoas estão actualmente inscritas no sistema nacional de formação profissional, das quais 65. 130 já concluíram a sua formação, 1.238 reprovaram e há uma “taxa de abandono preocupante” de 3.785 formandos, com 42.457 a continuar a sua formação.
No primeiro semestre do ano, houve também uma perda de 3.233 postos de trabalho, principalmente devido à lentidão das empresas, e à situação económica do país, salientou.
Na mesma cerimónia, o director nacional do Trabalho em Angola, Blanche Chendovava, explicou que o factor sazonalidade em algumas actividades tem influenciado também a questão da perda de empregos.
“Existem actividades que geram mais empregos em determinadas épocas do ano, como é o caso da pesca e da agricultura. Porém, o sector do comércio registou também uma ligeira queda na empregabilidade (…) que pode ser atribuída a alguma sazonalidade ou a uma certa contracção, ainda que mínima, dos indicadores macroeconómicos”, salientou director.