CPLP prepara missão à Guiné-Bissau para Dezembro
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) está a preparar uma missão de bons ofícios à Guiné-Bissau, com vista a analisar a situação política no país, estando a deslocação prevista, em princípio, para a segunda semana de Dezembro. A informação foi avançada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Bendito Freitas, país que actualmente preside à organização.
Em declarações à agência Lusa, à margem da sessão inaugural do terceiro fórum empresarial entre Timor-Leste e a Austrália, o governante explicou que a data da missão ainda está a ser discutida entre os Estados-membros.
Segundo Bendito Freitas, os representantes permanentes da CPLP em Lisboa estabeleceram contactos com as autoridades guineenses, através do embaixador da Guiné-Bissau. Na sequência dessas diligências, foi transmitida a concordância de Bissau com a realização da visita entre 3 e 5 de Novembro, posição que, de acordo com o ministro timorense, foi igualmente confirmada pelo primeiro-ministro de transição guineense.
Contudo, a deslocação acabou por ser adiada para Dezembro, devido a compromissos institucionais de Timor-Leste, nomeadamente a cimeira da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e a discussão do Orçamento Geral do Estado, ambos previstos para Novembro.
O chefe da diplomacia timorense, que preside ao Conselho de Ministros da CPLP, defendeu que a situação exige ponderação e tempo para preparar uma intervenção adequada. Bendito Freitas agradeceu igualmente ao primeiro-ministro de transição da Guiné-Bissau pela autorização concedida para a realização da missão.
A Guiné-Bissau encontra-se suspensa da participação nas actividades da CPLP desde Dezembro de 2025, na sequência do golpe militar de 26 de Novembro daquele ano, que interrompeu o processo eleitoral. A suspensão deverá manter-se até à reposição da ordem constitucional.
Na altura, a Guiné-Bissau exercia a presidência rotativa da organização lusófona, tendo Timor-Leste assumido temporariamente essas funções.
Esta não é a primeira tentativa de enviar uma missão de bons ofícios a Bissau. Uma deslocação inicialmente prevista para Fevereiro, igualmente liderada por Timor-Leste, acabou por ser cancelada.
No início de Outubro, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, Manuel Amante da Rosa, confirmou que os responsáveis pela diplomacia dos Estados-membros tinham recomendado o envio de uma missão de alto nível à Guiné-Bissau. A questão foi analisada numa reunião informal realizada sob a presidência de Timor-Leste, segundo o governante cabo-verdiano, que fez o balanço dos contactos mantidos pelo seu país em Nova Iorque, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Entretanto, continua por definir qual será o próximo Estado-membro a assumir a presidência da CPLP e onde terá lugar a próxima cimeira de alto nível da organização.
Criada a 17 de Julho de 1996, em Lisboa, a CPLP foi fundada por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. A organização conta actualmente com nove Estados-membros, após a adesão de Timor-Leste e da Guiné Equatorial.