Confiança dos empresários e gestores volta a cair depois de dois trimestres a subir

Crise cambial, falta de produtos intermédios, dificuldades financeiras, equipamentos insuficientes, ausência de mão- -de-obra qualificada e excesso da burocracia são alguns dos constrangimentos. Contribuíram para esta queda, a carteira de encomendas actual, ruptura de stocks, perspectiva de actividade e as perspectivas de criação de emprego.

O pessimismo dos gestores e dos patrões sobre as perspectivas de evolução da economia angolana aumentou, revela o inquérito sobre a conjuntura económica às empresas do II trimestre de 2023, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), no mês passado.

O indicador de clima económico (ICE), que avalia as expectativas dos empresários sobre a evolução da economia no curto prazo, caiu dois pontos de 14 pontos positivos no primeiro trimestre de 2023 para 12 pontos no II trimestre, o valor mais baixo desde o terceiro trimestre do ano passado, quando o indicador se fixou nos 6 pontos.

Especialistas acreditam que a crise cambial, a falta de stocks e bens intermédios, falta de financiamento e burocracia administrativa estão a pressionar o ICE para baixo, antevendo-se um final de ano difícil para a actividade empresarial no País. O ex-ministro da Economia e Planeamento, Manuel Neto Costa, em declarações ao Expansão, disse que “já há relatos de atrasos por parte dos bancos na efectivação das operações cambiais solicitadas pelos seus clientes.”

“Então, não estamos a ter um verdadeiro mercado cambial regulado pelo preço, que neste caso é a taxa de câmbio”, frisou.

Os 12 pontos correspondem ao saldo das respostas extremas, diferença entre as avaliações positivas e negativas dos empresários sobre as perspectivas de evolução da economia angolana. Ou seja, a percentagem de empresários que tem perspectivas negativas sobre a evolução da economia angolana no curto prazo excede os 12 pontos percentuais, a percentagem dos que têm perspectivas positivas.

Entretanto, o indicador de clima económico corresponde, grosso modo, à média dos indicadores de confiança de sete sectores de actividade, os quais reflectem a opinião dos patrões (empresários) e gestores de sete sec tores sobre o desempenho do respectivo sector no curto prazo. O INE destaca: comércio, comunicação, construção, indústria extractiva, indústria transformadora, transportes e turismo. O inquérito do II trimestre envolveu opiniões de 1.638 empresas distribuídas pelas 18 províncias, como objecto de observação…

Notícias relacionadas
Comentários
Loading...