Bruxelas e Kigali retomam relações diplomáticas após mais de um ano de ruptura

A retoma das relações diplomáticas ocorre depois de “uma série de encontros e contactos informais” entre os chefes da diplomacia belga e ruandesa. Segundo o comunicado, os contactos realizados nos últimos meses permitiram abordar, “num espírito construtivo”, vários pontos de divergência e de incompreensão entre os dois Governos.

A Bélgica e o Ruanda decidiram restabelecer as relações diplomáticas, interrompidas em Março de 2025, numa decisão anunciada ontem, terça-feira, dia 22, através de um comunicado conjunto divulgado à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.

“Os dois países decidiram em conjunto, neste dia 22 de Setembro de 2026, restabelecer as relações diplomáticas. Para o efeito, as respectivas embaixadas bilaterais serão reabertas em breve”, anunciaram os ministérios dos Negócios Estrangeiros dos dois países.

A retoma das relações diplomáticas ocorre depois de “uma série de encontros e contactos informais” entre os chefes da diplomacia belga e ruandesa. Segundo o comunicado, os contactos realizados nos últimos meses permitiram abordar, “num espírito construtivo”, vários pontos de divergência e de incompreensão entre os dois Governos.

Bruxelas e Kigali agradeceram igualmente ao Qatar pelo papel desempenhado na mediação do processo de reconciliação. Os dois países reafirmaram ainda o compromisso de manter “um diálogo aberto, franco e transparente”, considerado necessário para resolver eventuais diferendos bilaterais e permitir a discussão de posições divergentes e de desacordos que continuam a existir relativamente a questões internacionais.

O anúncio foi acompanhado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Ruanda com a publicação, na rede social X, de uma fotografia dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países, Maxime Prévot e Olivier Nduhungirehe, a apertarem as mãos diante da sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Recorde-se que o Ruanda rompeu as relações diplomáticas com a Bélgica em Março de 2025, acusando Bruxelas de tomar partido por Kinshasa no conflito na República Democrática do Congo (RDC).

Na altura, Kigali denunciou aquilo que classificou como “tentativas lamentáveis” da Bélgica para “manter ilusões neocoloniais”.

A Bélgica, antiga potência colonial da RDC, então designada Zaire, e do Ruanda, esteve entre os países europeus mais críticos da actuação de Kigali no contexto da ofensiva do Movimento 23 de Março (M23) no Leste da RDC.

A rebelião do M23, que Kinshasa e vários países atribuem ao apoio militar do Ruanda, lançou uma ofensiva em 2024 e conquistou importantes centros urbanos no Leste do país, entre os quais Goma, capital do Kivu do Norte, e Bukavu, capital do Kivu do Sul.

Perante a evolução do conflito, Bruxelas pediu à União Europeia que ponderasse a aplicação de sanções contra o Ruanda, acusando Kigali de violar a soberania e a integridade territorial da RDC.

O restabelecimento das relações diplomáticas abre agora uma nova etapa no relacionamento entre Bruxelas e Kigali, embora os dois Governos reconheçam que permanecem divergências sobre algumas questões bilaterais e internacionais.

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