Porto do Soyo movimenta mais de 7 mil milhões de kwanzas em 2025 e reforça posição estratégica no norte de Angola
O Porto do Soyo, na província do Zaire, atravessa uma nova fase de transformação, marcada pelo reforço da gestão concessionada dos seus terminais, pela necessidade de digitalização das operações e por uma crescente importância no apoio às actividades de petróleo, gás e cabotagem no Norte de Angola.
Os dados mais recentes indicam que a Empresa Portuária do Soyo registou, em 2025, um volume de negócios anual de cerca de 7,067 mil milhões de kwanzas, mantendo-se entre os principais empregadores do município, com 113 trabalhadores directos. Os números foram apresentados pelo presidente do Conselho de Administração da empresa, Fernando Dias, durante o Angola Hub Transport & Logistics Summit 2026.
A evolução representa um crescimento significativo face aos anos anteriores. Em 2023, por exemplo, a empresa tinha registado um volume de negócios superior a três mil milhões de kwanzas, depois de ter movimentado mais de 22 mil toneladas de mercadorias e 93.829 passageiros.
Sogester assume gestão de terminais
Uma das principais mudanças verificadas este ano é a entrada da Sogester na gestão dos terminais marítimos dos portos do Soyo e de Cabinda, no âmbito de uma concessão por 20 anos. A concessão resultou de um concurso público internacional lançado em 2025.
No caso específico do Soyo, o Executivo pretende que a concessão contribua para melhorar a eficiência das operações, a manutenção das infra-estruturas e a qualidade dos serviços prestados aos operadores e utilizadores.
Em Junho, a Sogester assumiu também formalmente a gestão do Terminal Fluvial de Passageiros do Soyo, uma infra-estrutura com cerca de 30 mil metros quadrados, capacidade para mais de 93 mil passageiros por ano, cais de 200 metros e três rampas Ro-Ro. O terminal recebeu um investimento de aproximadamente 80 milhões de dólares e foi concessionado por 20 anos.
A infra-estrutura desempenha ainda um papel importante na ligação entre o Soyo e Cabinda. A actividade de cabotagem tem vindo a ganhar peso, sobretudo no transporte de passageiros, carga, viaturas e contentores.
Cabotagem ganha importância
O reforço da ligação marítima entre o Soyo e Cabinda foi acompanhado recentemente pela entrada em cena da embarcação TCHIOWA, da Secil Marítima, num investimento superior a 12 mil milhões de kwanzas.
Entre Janeiro e 23 de Setembro de 2026, a Cabotagem Norte transportou 110.586 passageiros, realizou 650 viagens e movimentou 8.307,1 toneladas de carga diversa. No mesmo período, foram transportados 822 meios rolantes e 392 TEU de contentores.
A nova embarcação, com cerca de 93 metros de comprimento e capacidade para até 430 passageiros, deverá reforçar a ligação entre Cabinda e o Soyo, estando a sua entrada em operação prevista para a primeira semana de Outubro.
Digitalização é um dos principais desafios
Apesar do crescimento da actividade, a administração do Porto do Soyo identifica a digitalização como uma das prioridades para aumentar a competitividade da infra-estrutura.
Fernando Dias defende que o porto deve evoluir para um modelo de “porto inteligente”, o que exigirá investimentos em tecnologia, sistemas de informação e equipamentos. O gestor reconhece, contudo, que a modernização tecnológica representa um desafio financeiro, uma vez que grande parte dos equipamentos necessários é importada.
Outro constrangimento identificado é a conectividade terrestre e aérea. O acesso rodoviário entre Luanda e o Soyo é considerado uma das principais vantagens actuais, mas permanecem limitações nas ligações do Soyo com Mbanza Congo e Uíge, bem como na conectividade aérea.
A administração considera que estas limitações afectam a competitividade do porto face a outras infra-estruturas nacionais, nomeadamente Luanda e Lobito.
Porto beneficia do desenvolvimento do gás
A importância estratégica do Soyo ultrapassa, contudo, a actividade portuária tradicional. A localização da cidade junto à foz do rio Zaire e próxima de importantes operações offshore de petróleo e gás confere ao porto uma função relevante na cadeia logística energética de Angola. O enquadramento oficial do sistema portuário identifica precisamente o apoio às actividades petrolíferas e de gás como uma das principais funções da infra-estrutura.
Esta perspectiva ganha maior importância com os novos planos de desenvolvimento da indústria do gás. O Plano Director do Gás de Angola, apresentado em Setembro pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), prevê cerca de 13 mil milhões de dólares de investimento em cinco pólos industriais, incluindo o Soyo. Cerca de sete mil milhões de dólares deverão ser destinados ao midstream e seis mil milhões ao downstream.
Entre os projectos associados ao Soyo encontra-se o complexo da Amufert, direccionado para a produção de fertilizantes, com metas de produção de 1,4 milhões de toneladas de ureia granulada e 800 mil toneladas de amoníaco.
A actividade crescente no sector do gás está igualmente a gerar procura por serviços logísticos especializados no Soyo, particularmente através das operações da Kwanda no apoio a projectos petrolíferos e de gás offshore e onshore.
Um activo estratégico para o Norte de Angola
Com a entrada de novos operadores na gestão dos terminais, o reforço da cabotagem e a perspectiva de novos investimentos associados ao gás, o Porto do Soyo procura consolidar o seu papel como plataforma logística estratégica do Norte de Angola.
O desafio passa agora por transformar o crescimento da actividade em maior eficiência operacional, acelerar a digitalização, melhorar as ligações terrestres e aéreas e aproveitar a expansão prevista da indústria do gás.
Com um volume de negócios já superior a 7 mil milhões de kwanzas por ano, uma nova estrutura de gestão concessionada e uma ligação crescente às cadeias energética e logística nacionais, o Soyo surge como uma das infra-estruturas portuárias com maior potencial de desenvolvimento na região Norte do país.