Angola produz 750 mil metros cúbicos de rochas durante o ano
A produção nacional de rochas ornamentais está cifrada em cerca de 750 mil metros cúbicos por ano, dos quais apenas 150 mil metros cúbicos são transformados no país, enquanto os 600 mil metros cúbicos são exportados em pedra bruta, além de uma pequena porção expedida em chapa.
Os dados foram revelados, este sábado, dia 07, na província da Huíla, pelo presidente da Associação dos Exportadores e Produtores de Pedras de Angola (APEPA), Marcelo Siku, quando intervinha durante um seminário dirigido a jornalistas sobre “A importância das rochas ornamentais na economia”.
De acordo com o dirigente associativo, esta realidade deve-se ao fraco consumo interno de produtos derivados de rochas ornamentais, como do granito e do mármore, facto que está a retrair os investimentos empresariais na área da transformação no país, sendo o baixo poder aquisitivo no mercado um dos principais factores.
Nos últimos anos, avançou o empresário, o mercado interno passou a consumir muito pouco os produtos transformados dos granitos e mármores, o que está a ser determinado, segundo o responsável, pela actual fraca capacidade aquisitiva, diferente de dez anos atrás, quando muitos cidadãos com iniciativas de obras de construção procuravam por materiais de ladrilho e não só, que são produtos da transformação de rochas do país.
Marcelo Siku reconheceu o encarecimento do preço no mercado, numa altura em que um metro quadrado de ladrilho de granito pode ser comercializado entre 15 mil e 20 mil kwanzas, enquanto o mosaico cerâmico importado custa no mercado perto de 8.000 kwanzas.
Considerou que se tratando de um material de qualidade, durabilidade e com elevados custos de produção, dificilmente os produtos de granito e mármore seriam comercializados abaixo dos actuais preços, o que leva as empresas a deixarem de produzir quantidades e a expandirem a actividade.
O responsável indicou que, actualmente, as empresas transformadoras de granitos limitam-se a produzir por encomenda, cujos clientes solicitam mais estruturas para campas e tampos de cozinha, enquanto peças de ladrilho tanto para o chão como para paredes deixaram de ser solicitados.
“Não há mercado nacional para consumo das rochas ornamentais e dos seus produtos. E enquanto não tivermos esse consumo interno, a solução é vendermos no exterior do país”, enfatizou Marcelo Siku.
Afirmou que esse comportamento actual do mercado de consumo está a levar algumas empresas a reduzir a mão-de-obra, devido aos baixos rendimentos do negócio.
Outra preocupação manifestada pelo responsável da APEPA é a falta de aproveitamento dos rejeitados de rochas ornamentais, como blocos com fissuras, que acabam por ser abandonados nas minas de exploração.
Disse que a quantidade de desperdícios nas pedreiras é bastante acentuada, que sugere incentivos para surgimento de pequenas unidades fabris para a reutilização dos rejeitados, para produzir, por exemplo, cubos úteis ao calcetamento de passeios de cidades e vilas do país.