Angola procura parceiros para uso do hidrogénio verde
A importância da aposta de Angola no hidrogénio verde como parte da matriz energética nacional e o reforço da cooperação com a Namíbia no sector dos Hidrocarbonetos foi destacado, ontem, dia 11, em Windhoek, pelo secretário de Estado para o Petróleo e Gás, José Alexandre Barroso.
Segundo o jornal de Angola, o secretário de Estado para o Petróleo e Gás, José Barroso, que falava à margem da Cimeira Global Africana de Hidrogénio Verde, na região de Khomas, disse que o país ainda não dispõe de um roteiro nacional definido para o desenvolvimento de hidrogénio, mas está a preparar um projecto-piloto.
“O roteiro, como tal, ainda não temos. Neste momento, estamos a elaborar um projecto conceptualmente já definido, mas à procura de parceiros financeiros. Esse projecto-piloto servirá de base para estabelecermos o roteiro nacional.
Acreditamos que o hidrogénio pode fazer parte da matriz energética do país e servir grande parte da nossa indústria”, afirmou.
Apontou os sectores da Energia e dos Transportes como os mais beneficiados com a introdução do hidrogénio, sublinhando que alguns países já utilizam esse recurso para frotas de transporte público, incluindo camiões.
Aposta forte
O secretário de Estado acrescentou que a Sonangol, em parceria com empresas alemãs, está a desenvolver um projecto com o foco inicial na exportação, mas com perspectiva de criação de uma indústria nacional.
Sobre a cooperação com a Namíbia, o secretário de Estado para o Petróleo e Gás lembrou que o país vizinho descobriu recentemente petróleo e gás, estando numa fase inicial de exploração.
“Angola tem quase 100 anos de experiência no sector Petrolífero e queremos partilhar essa experiência com a Namíbia, colaborando na formação de quadros e promover a entrada de empresas angolanas no mercado namibiano”, reforçou.
Transição energética
O vice-Primeiro-Ministro e ministro da Industrialização, Minas e Energia da Namíbia, Natangue Ithete, apelou, na abertura da Cimeira Global de Hidrogénio de África, a uma maior transformação dos discursos políticos em acções concretas que resultem em benefícios reais para as populações africanas.
Segundo o governante, o encontro, que reúne “grandes mentes da política e da indústria”, deve marcar “um ponto de viragem” na trajectória do continente rumo à industrialização verde.
“Precisamos passar da promessa no papel e nos discursos para um progresso tangível no terreno, que se reflicta em dignidade, empregos e empoderamento das nossas comunidades”, afirmou.
Natangue Ithete destacou que a transição energética deve ser um catalisador para reduzir a dependência de exportações de matérias-primas e importações de produtos acabados.
“Fracassaremos se não pudermos mostrar quantos empregos foram criados, quantos jovens receberam formação, como as mulheres foram empoderadas e como a escassez de energia foi erradicada”, alertou.
O governante namibiano acrescentou que a verdadeira medida de sucesso das políticas energéticas e ambientais da Namíbia, inscritas no NDP6, não será a atractividade para investidores estrangeiros, mas a transformação efectiva da vida dos cidadãos.
A delegação angolana ao evento é chefiada por José Alexandre Barroso e integra técnicos da Sonangol e da Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANPG).
A Cimeira, que terminou ontem, dia 11, na capital namibiana, junta líderes políticos, investidores e representantes da indústria para debater o papel de África no mercado global do hidrogénio e as oportunidades que oferece na transição energética sustentável e equitativa. É uma plataforma para se encontrar os melhores caminhos para o sector.