Angola alerta para risco de exclusão provocado pela transformação digital

O Governo angolano considera que a transformação digital não pode aprofundar as desigualdades no espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), defendendo o reforço dos investimentos em infra-estruturas e na expansão do acesso à Internet para garantir que a transição digital beneficie todos os cidadãos.

A posição foi expressa pelo secretário de Estado da Comunicação Social de Angola, Nuno Caldas, na abertura, em Luanda, da quinta edição do Fórum Lusófono da Governação da Internet (FLGI), que reuniu, nos dias 23 e 24, no Centro de Convenções de Talatona, em Luanda, representantes dos países de língua portuguesa para discutir os principais desafios associados ao desenvolvimento da sociedade digital.
“Não podemos aceitar que a transformação digital crie formas de exclusão. A Internet deve constituir uma oportunidade para todos. Ninguém deve ficar para trás, independentemente da sua localização geográfica, da sua condição económica (…) ou de eventuais limitações físicas”, afirmou o governante.
Nuno Caldas reconheceu os progressos registados no domínio tecnológico no espaço da CPLP, mas advertiu que continuam a existir “desafios assinaláveis”, sobretudo no acesso regular e de qualidade à Internet.
Segundo o secretário de Estado, milhões de cidadãos continuam sem acesso adequado aos serviços digitais, enquanto, em muitas comunidades, particularmente nas zonas rurais, o custo dos equipamentos e dos serviços de telecomunicações constitui ainda um obstáculo à plena participação na sociedade digital.
Para inverter este cenário, defendeu investimentos consistentes em infra-estruturas, expansão da banda larga, electrificação, literacia digital e formação de competências.
Jovens, mulheres e crianças entre as prioridades
O governante angolano defendeu igualmente uma atenção particular às crianças, aos jovens e às mulheres no espaço lusófono, garantindo-lhes condições de acesso, formação e segurança no ambiente digital.
Nuno Caldas considerou que os jovens constituem uma das principais forças criativas dos países da CPLP, pelo que devem ser preparados não apenas para utilizar e consumir tecnologia, mas também para desenvolver soluções, criar empresas e participar activamente na economia digital.
Entre os desafios colocados pela expansão da Internet, apontou a inclusão digital, a cibersegurança, a inteligência artificial, a literacia digital, a produção de conteúdos em língua portuguesa e a protecção dos direitos fundamentais no ambiente digital.
Neste domínio, salientou a responsabilidade dos países da CPLP em assegurar uma presença cada vez mais forte e diversificada da língua portuguesa na Internet. “A nossa língua deve ser não apenas uma língua de comunicação, mas também uma língua de conhecimento”, sublinhou.

Angola aposta na transformação digital
Nuno Caldas assegurou que o Governo angolano acompanha as dinâmicas associadas à digitalização e mantém contactos com parceiros sociais, nacionais e internacionais, com o objectivo de salvaguardar interesses relacionados com a utilização segura da Internet.
Acrescentou que Angola tem vindo a desenvolver políticas e iniciativas destinadas a promover a transformação digital, a inclusão social, a modernização da Administração Pública e a melhoria dos serviços prestados aos cidadãos.
A importância da quinta edição do FLGI foi igualmente destacada pelo director-geral do Instituto Nacional de Fomento da Sociedade da Informação, André Pedro, entidade responsável pela organização do encontro.
Por sua vez, a secretária da mesa da Assembleia-Geral da Associação das Entidades Gestoras dos Domínios de Topo de Língua Portuguesa (LusNIC), Andreia Brito, salientou que o fórum permitirá discutir tanto os desafios globais da governação da Internet como as especificidades dos países da CPLP, nomeadamente no que respeita às infra-estruturas, à língua e à diversidade da lusofonia.
A conectividade, o desenvolvimento das infra-estruturas digitais nos países de língua portuguesa e a utilização da Internet por crianças e adolescentes, incluindo os desafios de regulação e as oportunidades de desenvolvimento, estiveram entre os temas em debate no fórum.

Notícias relacionadas
Comentários
Loading...