Guterres abre último Debate Geral da ONU como secretário-geral
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, abre hoje, terça-feira, dia 22, em Nova Iorque, o Debate Geral da 81.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU, naquele que será o seu último discurso neste fórum anual enquanto líder da organização.
O discurso de Guterres está previsto para as 09h00 locais (14h00 de Luanda) e acontece num contexto internacional marcado pelo agravamento das tensões geopolíticas, pela persistência de conflitos armados, pelas dificuldades no financiamento do desenvolvimento e da própria ONU, bem como pelas rápidas transformações tecnológicas e pelos efeitos das alterações climáticas.
António Guterres assumiu o cargo de secretário-geral das Nações Unidas em Janeiro de 2017 e foi reconduzido para um segundo mandato de cinco anos, que termina no final deste ano.
O Debate de Alto Nível, que começa hoje e se prolonga até 28 de Setembro, deverá reunir em Nova Iorque 71 chefes de Estado, 45 chefes de Governo e 11 vice-presidentes, segundo o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric. Entre os oradores estarão também 50 ministros e um príncipe herdeiro.
Depois de Guterres, os primeiros líderes a discursar serão o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o rei Abdullah II da Jordânia, o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e o Chefe de Estado angolano João Lourenço.
O Brasil mantém, desde 1955, a tradição de abrir o Debate Geral. A posição foi estabelecida porque, nos primeiros anos após a criação das Nações Unidas, o país se disponibilizava para discursar em primeiro lugar, numa altura em que outros Estados se mostravam mais relutantes em assumir essa posição.
Os Estados Unidos são tradicionalmente o segundo país a discursar, por serem o país anfitrião da sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. Depois desta ordem estabelecida para Brasília e Washington, a sequência dos restantes Estados-membros é definida tendo em conta factores como o nível de representação, as preferências dos países e o equilíbrio geográfico.
Entre os dirigentes esperados em Nova Iorque encontram-se também os Presidentes da Ucrânia e do Irão, Volodymyr Zelensky e Masoud Pezeshkian, respectivamente, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
O Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, deverá intervir por videoconferência, depois de a Administração norte-americana ter negado um visto de entrada nos Estados Unidos.
Durante o Debate Geral, os líderes mundiais deverão apresentar as suas posições e prioridades perante um conjunto de desafios globais cada vez mais interligados. A ONU recomenda aos oradores um limite voluntário de 15 minutos para cada intervenção.
Centenas de encontros à margem do Debate
A semana de alto nível será também marcada por uma intensa agenda diplomática paralela. Estão previstas 1.553 reuniões bilaterais entre representantes das diferentes delegações, além dos encontros que António Guterres deverá manter com a maioria dos líderes presentes.
Entre os encontros aguardados está uma reunião entre Donald Trump e Delcy Rodríguez, num momento particularmente relevante para a Venezuela, menos de um ano depois da detenção do antigo Presidente venezuelano Nicolás Maduro, em Nova Iorque, em Janeiro.
A sede das Nações Unidas deverá acolher pelo menos 166 eventos durante a semana, transformando Nova Iorque, uma vez mais, no principal palco da diplomacia multilateral.
Os conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia, bem como o futuro da Inteligência Artificial e os seus impactos no desenvolvimento e na governação internacional, estarão entre os principais temas em discussão na 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.