Conflitos, reforma da ONU e inteligência artificial dominam Semana de Alto Nível

A Semana de Alto Nível da Assembleia-Geral das Nações Unidas arranca hoje, sexta-feira, dia 18, em Nova Iorque, com os conflitos internacionais, a reforma da organização e o impacto da inteligência artificial entre os principais temas em discussão, num período marcado também pelo processo de escolha do sucessor de António Guterres como secretário-geral.

Considerada a semana mais importante do calendário das Nações Unidas, a programação começa oficialmente com um encontro dedicado aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Convocado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, o evento pretende debater iniciativas transformadoras, tanto a nível global como nacional, e formas de acelerar a concretização das metas definidas para 2030.
Os ODS correspondem a 17 objectivos globais de desenvolvimento adoptados pela Assembleia-Geral das Nações Unidas, com metas a atingir até ao final desta década.
Na próxima terça-feira, dia 22, terá início o Debate Geral de Alto Nível da Assembleia-Geral, que ficará marcado pelo último discurso de António Guterres neste encontro anual enquanto secretário-geral das Nações Unidas.
Guterres assumiu a liderança da organização em Janeiro de 2017 e foi reconduzido para um segundo mandato de cinco anos, que termina no final deste ano.
O processo de sucessão decorre tendo como pano de fundo um cenário internacional particularmente complexo. Até ao momento, oito candidatos estão na corrida ao cargo, sem que nenhum tenha assumido uma posição de claro favoritismo.
Vários Estados-membros defendem que o próximo secretário-geral deverá contribuir para ultrapassar a crise multifacetada que afecta a organização e ajudar a definir uma nova orientação para as Nações Unidas.
O Debate de Alto Nível, que termina a 28 de Setembro, deverá reunir em Nova Iorque dezenas de chefes de Estado e de Governo. Os líderes deverão apresentar as suas posições e prioridades perante os principais desafios internacionais, num contexto marcado pela crescente interligação entre conflitos, tensões geopolíticas, alterações climáticas, desenvolvimento e transformação tecnológica.

EUA, Irão, Israel e Ucrânia deverão estar representados ao mais alto nível
Entre os dirigentes esperados encontram-se os Presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, do Irão e da Ucrânia, além do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e do ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov.
Para Donald Trump, será o sexto discurso perante a Assembleia-Geral como Presidente dos Estados Unidos. No ano passado, a sua intervenção ficou marcada por fortes críticas à própria organização.
Trump será o segundo chefe de Estado a discursar, depois do Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. O Brasil mantém, desde 1955, a tradição de abrir o Debate Geral.
A posição atribuída ao Brasil remonta aos primeiros anos das Nações Unidas, quando o país se disponibilizava para intervir em primeiro lugar, numa altura em que outros Estados demonstravam maior relutância em assumir essa posição.
Os Estados Unidos, enquanto país anfitrião da sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, são tradicionalmente o segundo país a dirigir-se à Assembleia-Geral.
Depois destas duas posições fixas, a ordem dos restantes oradores é determinada por critérios que incluem o nível de representação, as preferências dos Estados-membros e o equilíbrio geográfico.
De acordo com o calendário provisório divulgado pelas Nações Unidas, Portugal estará representado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, que deverá discursar na tarde de quinta-feira, terceiro dia do Debate Geral.
Aos chefes de Estado e de Governo é recomendado um limite voluntário de 15 minutos para cada intervenção.

Mais de uma centena de reuniões bilaterais
À margem do Debate Geral, estão previstas dezenas de reuniões e eventos de alto nível. António Guterres deverá manter uma agenda particularmente intensa, incluindo mais de uma centena de encontros bilaterais com dirigentes mundiais, entre os quais Donald Trump.
O secretário-geral das Nações Unidas indicou que a inteligência artificial será igualmente um dos temas centrais das suas conversações com os líderes mundiais.
A agenda inclui ainda vários encontros temáticos. Para 23 de Setembro está prevista a Cimeira do Clima, bem como uma reunião destinada a assinalar o 40.º aniversário da Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento. No dia seguinte, terá lugar uma reunião dedicada à subida do nível do mar.
A 25 de Setembro, o presidente da 81.ª sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas (UNGA81), Khalilur Rahman, convocará uma reunião centrada na prevenção, preparação e resposta a pandemias.
O 25.º aniversário da adopção da Declaração e do Programa de Acção de Durban, plano global orientado para a promoção da justiça e da igualdade racial, será assinalado a 28 de Setembro.
No dia seguinte, terá lugar a reunião anual de alto nível destinada a assinalar e promover o Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares, considerado pelas Nações Unidas uma das suas principais prioridades no domínio do desarmamento.
A 81.ª sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas decorre sob o lema «Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação: Uma Organização das Nações Unidas que Funciona para Todos».
A sessão realiza-se num contexto internacional marcado por fortes tensões geopolíticas e conflitos, dificuldades no financiamento do desenvolvimento e da própria organização, rápidas transformações tecnológicas e agravamento das alterações climáticas, factores que continuam a colocar à prova o sistema multilateral e a capacidade de resposta das Nações Unidas.

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