Zâmbia vai hoje às urnas com Hichilema favorito à reeleição

Os zambianos começaram a votar esta manhã, quinta-feira, dia 13, nas eleições gerais, nas quais o Presidente Hakainde Hichilema, no poder desde 2021, é apontado como favorito à conquista de um segundo mandato, depois de ter liderado uma recuperação económica durante os primeiros cinco anos no poder.

Cerca de 22 milhões de habitantes são chamados às urnas para eleger, simultaneamente, o Presidente da República, os deputados e os representantes dos governos locais. As assembleias de voto abriram às 06h00 e encerram às 18h00, estando os resultados previstos para serem anunciados na segunda-feira.

Hichilema baseia a sua campanha no desempenho económico do seu mandato, durante o qual conduziu a Zâmbia por um processo de reestruturação da dívida e de recuperação económica, depois de o país ter entrado em incumprimento da sua dívida soberana em 2020.

O principal adversário de Hichilema é Brian Mundubile, um experiente deputado que se candidata pela primeira vez à Presidência. Mundubile lidera uma aliança da oposição apoiada por sectores ligados ao antigo Presidente Edgar Lungu, que morreu recentemente.

Custo de vida domina preocupações dos eleitores

O custo de vida constitui uma das principais preocupações dos eleitores, apesar da melhoria de vários indicadores económicos, situação que os analistas consideram ser uma das principais fragilidades de Hichilema nestas eleições.

“Votei no HH porque ele se preocupa connosco”, afirmou, citado pela Reuters, James Phiri, estudante de 29 anos da Universidade da Zâmbia, referindo-se ao Presidente pela sua alcunha.

Segundo Phiri, a situação melhorou depois de Hichilema ter reintroduzido os subsídios de alimentação destinados aos estudantes universitários, uma promessa eleitoral cumprida depois de essas ajudas terem sido eliminadas pela anterior administração.

Contudo, muitos zambianos afirmam continuar a enfrentar dificuldades para fazer face às despesas quotidianas.

“Acabo de despedir alguém. Estamos cansados de ouvir histórias sobre o progresso económico”, afirmou Samuel Chitendwe, soldador de 47 anos e pai de quatro filhos, que declarou, à Reuters, ter votado em Mundubile.

Segundo Lee Habasonda, professor de Ciência Política na Universidade da Zâmbia, a oposição conta com forte apoio em Lusaca e na província do Copperbelt, duas regiões com elevado número de eleitores registados. O partido no poder deverá, por sua vez, apresentar melhores resultados nas zonas rurais.

Preocupações sobre a transparência eleitoral

O período que antecedeu as eleições foi marcado por alegações de repressão política, acusações rejeitadas pelo Governo.

A organização norte-americana Freedom House classifica a Zâmbia como um país “parcialmente livre”. Segundo a organização, embora o país realize regularmente eleições multipartidárias, os partidos da oposição enfrentam “obstáculos legais e práticos significativos” que dificultam uma competição eleitoral em condições de igualdade.

Para vencer as eleições presidenciais na primeira volta, um candidato precisa de obter mais de 50% dos votos válidos. Caso nenhum candidato alcance essa maioria, será realizada uma segunda volta entre os dois candidatos mais votados.

Se houver necessidade de uma segunda volta, esta deverá realizar-se no prazo máximo de 37 dias após a primeira votação.

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