Onda de violência xenófoba adia reunião bilateral entre Gana e África do Sul

O Governo do Gana adiou as reuniões bilaterais com a África do Sul que estavam previstas para o próximo mês, Agosto, devido a um aumento da violência contra os migrantes no país, refere a agência Reuters.

O porta-voz do Governo ganês, Felix Kwakye Ofosu, disse à estação de rádio local Joy FM que a violência provavelmente teria ofuscado as reuniões de Agosto, que deveriam ser organizadas pelo Gana e copresididas pelo presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e pelo presidente do Gana, John Dramani Mahama. “Seria melhor que as duas partes se reunissem quando as coisas se acalmarem”, declarou Kwakye Ofosu.

Por sua vez, o porta-voz de Ramaphosa, Vincent Magwenya, afirmou à Reuters que as reuniões da Comissão Binacional África do Sul-Gana tinham sido discutidas há meses e que Joanesburgo tomou conhecimento da intenção do Gana de adiá-las quando procurou confirmar a sua realização.

A África do Sul tem assistido a ondas de protestos anti-migrantes nos últimos meses, que têm sido na sua maioria pacíficos, mas que, por vezes, se tornaram violentos, com ataques a cidadãos estrangeiros e saques a lojas de propriedade de estrangeiros. O Gana repatriou centenas dos seus cidadãos antes do “prazo” de 30 de Junho estabelecido por um movimento anti-migrante sul-africano para que os estrangeiros indocumentados abandonassem o país.

Kwakye Ofosu afirmou que o Gana valoriza a sua relação com a África do Sul e que seria oportuno que Ramaphosa visitasse o país “quando a questão dos ataques xenófobos já não pairasse sobre essas discussões”.

Vincent Magwenya salientou que a África do Sul e o Gana “continuariam a dialogar através dos canais diplomáticos para identificar uma data mutuamente conveniente para a próxima sessão da comissão”.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Gana afirmou na semana passada que um cidadão ganês foi morto a tiro no bairro de Khayelitsha, na Cidade do Cabo, durante manifestações anti-imigrantes a 30 de Junho. A polícia sul-africana disse não ter qualquer registo de tal incidente nesse dia, e destacou ainda que um cidadão ganês tinha sido morto um dia antes num outro bairro da Cidade do Cabo, mas que se acreditava que esse incidente estivesse relacionado com extorsão, e não com sentimentos anti-imigrantes

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