Na Zâmbia há uma nova fronteira de placas tectónicas a formar-se
Cientistas realizaram análises de gás de fontes geotérmicas na Zâmbia que indicam que a fenda de Kafue rompeu a crosta terrestre, podendo “eventualmente tornar-se um novo limite de placa tectónica”, indica um artigo divulgado hoje, dia 12, pela revista ‘Frontiers in Earth Science’.
“As fontes termais ao longo da fenda de Kafue, na Zâmbia, apresentam assinaturas isotópicas de hélio que indicam uma ligação directa com o manto da Terra [camada intermédia entre a crosta terrestre e o núcleo], que se encontra entre 40 e 160 quilómetros abaixo da superfície”, refere Mike Daly, da Universidade de Oxford e um dos autores do artigo.
“Esta ligação fluida é uma prova de que o limite da falha da fenda de Kafue está activo e, portanto, a Zona de Rift (fractura tectónica gigante do sudoeste africano) também está, o que pode representar um indício precoce da fragmentação da África Subsaariana”, explica, citado num comunicado da editora científica Frontiers.
Daly alerta, no entanto, que o estudo se baseia “em análises de hélio de uma área na zona de Rift no sudoeste de África, que tem milhares de quilómetros de comprimento”, pelo que são necessários estudos mais extensos, cuja próxima etapa, acrescentou, “estará concluída neste ano”.
A fenda de Kafue faz parte de uma zona de fendas com 2500 km de comprimento que vai da Tanzânia à Namíbia e pode atingir a Dorsal Mesoatlântica, a maior cordilheira de montanhas submarinas do mundo, que atravessa a zona central do oceano Atlântico e o Ártico.
Segundo o comunicado, a atenção dos cientistas foi atraída pela topografia que sugeria uma possível nova fenda, bem como pelos elevados níveis de anomalias geotermais e fontes termais.
Os cientistas visitaram oito poços e fontes geotérmicas na Zâmbia, seis na zona da fenda suspeita e dois fora dela, para recolherem as amostras de gás que analisaram.
“A descoberta de que a fenda de Kafue está activa pode ter importantes consequências económicas”, indica o comunicado, precisando que “as fracturas geológicas em fase inicial podem fornecer energia geotérmica e acesso a hélio e hidrogénio”. Mas “mais significativo poderá ser o efeito para o formato futuro de África”.
“Muitas das características do Grande Vale do Rift do Quénia constituem razões convincentes para pensar que a África Oriental se torne, em última análise, uma importante linha de fractura continental”, diz Daly.