Mais de metade dos campos agrícolas angolanos registaram perdas em 2023-24
Mais de metade dos campos agrícolas em Angola sofreram perdas na campanha 2023-2024, com os cereais entre as culturas mais afectadas, segundo o Perfil Agro-Pecuário e Pescas divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Os dados do Inquérito Contínuo Agro-Pecuário e Pescas (ICAPP) 2023-2024, citados pela agência Lusa, indicam que 55,2% das culturas foram afectadas, enquanto 44,8% não reportaram prejuízos.
Os cereais foram o grupo mais afectado, com 67,1% das áreas a acusarem prejuízos, destacando-se o massango como a cultura com maior incidência de quebras, com 73,9%, seguido da massambala, com 70,4%, e do milho, com 65,2%.
Nas leguminosas e oleaginosas, 54% das áreas registaram perdas, com o feijão a atingir 57,6%, enquanto nas culturas hortícolas 52,7% das áreas sofreram prejuízos, sendo a mais afectada a cenoura (82,1% de perdas), seguida do tomate (64,2%) e da cebola (56,5%).
As raízes e tubérculos apresentam uma situação mais favorável, com 80,8% das áreas sem perdas, enquanto as culturas permanentes tiveram 80,2% das áreas sem prejuízos, sendo as frutíferas as mais estáveis.
Os factores climáticos constituem as principais causas de redução da produção em ambas as épocas agrícolas.
Na primeira época (Janeiro a Março), as inundações ou o excesso de chuva prejudicaram 25% das explorações e a seca ou pouca chuva 16%. As pragas e doenças representaram 11% das causas e o roubo de colheitas 6,3%. Na segunda época agrícola (Maio a Agosto), as inundações mantiveram-se como principal causa, com 22%, seguidas da seca, com 14%. As pragas e doenças representaram 7% e o roubo de colheitas 6,1%.
Angola tem 2,57 milhões de explorações agrícolas no total, das quais 2,56 milhões são familiares e apenas 4988 empresariais. A esmagadora maioria das explorações familiares é constituída por produtores individuais com colheitas (95,14%).
A grande maioria das explorações agrícolas familiares produz para consumo próprio, e o Instituto Nacional de Estatísticas nota que os produtores familiares “não estão muito predispostos a levarem a produção realizada para venda”.
A preparação do solo é maioritariamente manual em todo o país, destacando-se a Huíla (sul) como a província com maior área mecanizada do país, com 457.394 hectares, seguida do Cunene (sul) com 300.471 hectares.