Estados Unidos reduzem ao mínimo pessoal diplomático no Haiti
Os Estados Unidos da América (EUA) retiraram parte do pessoal da embaixada em Port-au-Prince, capital do Haiti, devido ao aumento da violência entre gangues e reforçaram a segurança do pessoal diplomático, anunciou este domingo, dia 10, a representação norte-americana.
“O aumento da violência dos gangues nas imediações da embaixada dos EUA e do aeroporto levou o Departamento de Estado a tomar medidas para a partida de mais pessoal”, declarou a embaixada nas redes sociais.
A operação, conduzida pelo exército norte-americano, foi efetuada por helicóptero no sábado à noite, segundo residentes locais citados pela agência francesa AFP.
“Este transporte aéreo de pessoal de e para a embaixada faz parte dos nossos procedimentos planeados para reforçar a segurança da embaixada”, disse o exército norte-americano num comunicado. Contudo, a embaixada dos EUA em Port-au-Prince continua aberta, de acordo com a mesma fonte.
A capital do Haiti, Port-au-Prince, tem sido palco de confrontos entre polícias e bandos armados, sendo neste momento “uma cidade sitiada”, advertiu no sábado o responsável no Haiti pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), Philippe Branchat. “Os habitantes da capital estão a viver confinados, sem terem para onde ir“, descreveu.
Refira-se que gangues criminosos controlam a maior parte da capital e as estradas que conduzem ao resto do país caribenho. A situação agravou-se desde a semana passada, e resultou na libertação de milhares de presos, incluindo muito líderes de gangues, e numa escalada de violência nas ruas.
Há vários dias que os bandos atacam esquadras de polícia, prisões e tribunais na ausência do primeiro-ministro Ariel Henry, cuja demissão é pedida pelos criminosos e por uma parte da população. De acordo com as últimas notícias, Henry encontra-se retido em Porto Rico após uma viagem ao estrangeiro.
Perante a violência, dezenas de habitantes ocuparam no sábado as instalações de um gabinete da administração pública em Port-au-Prince, na esperança de aí encontrarem refúgio, segundo a AFP.
O Governo haitiano declarou o estado de emergência no departamento ocidental, que inclui a capital, Port-au-Prince, bem como um recolher obrigatório noturno, difícil de aplicar pelas forças de segurança já sobrecarregadas com os bandos criminosos.