ONU preocupada com o possível recrutamento de crianças na guerra do Sudão
Siobhan Mullally, Responsável Especial das Nações Unidas sobre o Tráfico de Pessoas, manifestou, ontem, segunda-feira, dia 16, em Genebra, Suíça, a sua preocupação com o risco acrescido de recrutamento e utilização de crianças pelas forças e grupos armados no Sudão, onde grassa uma guerra civil desde 15 de Abril.
De acordo com as equipas da ONU, as crianças são um alvo fácil dos ataques de homens armados. “As crianças pobres ou separadas das suas famílias estão a ser alvo das Forças de Apoio Rápido (FAR) nos subúrbios de Cartum”. Raptos semelhantes tiveram lugar noutras regiões, no Darfur e no Cordofão do Sul. Segundo Siobhan Mullaly, estes menores são depois recrutados à força por grupos armados para serem utilizados em combate.
Esta situação é confirmada por uma fonte próxima do sindicato dos médicos sudaneses. “No caos do conflito, as crianças estão numa situação absolutamente vulnerável”, refere.
Para a responsável das Nações Unidas, não se trata, em caso algum, de discutir a possibilidade de um recrutamento voluntário. “O seu recrutamento constitui uma violação flagrante dos direitos humanos e do direito internacional”, sublinha.
O recrutamento de crianças é uma prática antiga no Sudão. Já existia durante a guerra no Darfur (2003-2020) e na guerra de independência do Sudão do Sul.
Em 2016, o governo sudanês assinou um plano de acção com a ONU para pôr termo ao recrutamento de crianças para as suas forças armadas.