Cabo Verde continua a condenar a Rússia na guerra com a Ucrânia

Após a recente aproximação de São Tomé e da Guiné-Bissau à Rússia, o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, sentiu necessidade de reiterar a condenação à invasão russa da Ucrânia e considerou “ideal” que a CPLP pudesse ter uma posição, mas admitiu que essa não é a missão da comunidade e pode haver interesses divergentes.

“O nosso posicionamento foi muito claro e reiteramos: nós condenamos a invasão da Rússia à Ucrânia”, reflectida em votações nas Nações Unidas, e Cabo Verde tem “parcerias muito fortes” que faz questão de manter, disse Ulisses Correia e Silva, num encontro com órgãos de comunicação social no Mindelo, ilha de São Vicente, na segunda-feira, dia 13, para balanço de três anos do segundo mandato de governação.

“A CPLP é uma comunidade de países de língua portuguesa, não tem como objectivo definir a concertação única relativamente a relações externas. O ideal era que, de facto, pudesse haver um posicionamento que pudesse refletir a posição da CPLP, mas não é essa a [sua] natureza e missão: são países livres e independentes”, referiu.

A comunidade integra estados “com interesses políticos que às vezes são convergentes e outras vezes divergentes”, acrescentou.

Alinhando-se com os aliados de Kiev, o líder do Governo classificou a parceria de Cabo Verde com a União Europeia (UE) como “estruturante” em matérias sociais, económicas e também de defesa e segurança, além da forte diáspora em solo europeu.

Secretário-Geral da CPLP desdramatiza

Da mesma forma, classificou como “muito forte” a ligação com os EUA, país onde o arquipélago tem também uma grande diáspora e com o qual tem “valores partilhados”. “A integração com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO)” rege-se “pelos mesmo princípios”, acrescentou. “As nossas opções são claras, as nossas acções são consistentes”, concluiu.

Recorde-se que Portugal manifestou a São Tomé e Príncipe “estranheza” e “apreensão” pelo acordo de cooperação técnico militar assinado com a Rússia, revelou, na quinta-feira, dia 9, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel.

O secretário executivo da CPLP afirmou, também na quinta-feira, que “não há dramas” sobre o assunto, enquanto o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou importante “salvaguardar a unidade da CPLP”, recordando que “quando começou a invasão pela Federação Russa da Ucrânia [em Fevereiro de 2022] houve votações nas Nações Unidas e nalgumas das votações a CPLP dividiu-se, e dividiu-se muito.”

A notícia do acordo com São Tomé e Príncipe surgiu a par de uma visita do Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, à Rússia, durante a qual o chefe de Estado guineense garantiu ao homólogo russo, Vladimir Putin, que pode contar com a Guiné-Bissau “como aliado permanente.”

Embaló disse esta segunda-feira, dia 13, ter “mais de 100 oficiais militares em formação na Rússia”, tendo pedido formação também para as forças especiais guineenses.

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