Burquina Faso e Mali alegam reciprocidade para impedir entrada de norte-americanos nos respectivos paises

Dois dos três estados da Aliança do Sahel, governados por militares, Burquina Faso e o Mali, proibiram a entrada de cidadãos americanos, anunciando que estão a aplicar a “reciprocidade” às medida de Washington, que anunciou a recusa de vistos para os cidadãos destes países.

Desde o seu regresso ao poder, Donald Trump avançou com uma campanha contra a imigração ilegal, endurecendo consideravelmente as condições de entrada nos Estados Unidos e a concessão de vistos, alegando a protecção da segurança nacional.

A 16 de Dezembro, a administração americana anunciou o alargamento da lista de nacionalidades ao Burquina Faso, Mali, Níger, Sudão do Sul, Laos, Síria e Serra Leoa, bem como aos cidadãos palestinianos, cujos vistos serão recusados, para “proteger a segurança dos Estados Unidos.”

O Burquina Faso e o Mali responderam através de dois comunicados separados, citados ontem, quinta-feira, dia 1, pela agência France-Presse. “Em aplicação do princípio da reciprocidade, o governo do Burquina Faso informa a opinião pública nacional e internacional da sua decisão de aplicar aos cidadãos dos Estados Unidos da América medidas equivalentes em matéria de vistos”, declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Burquina Faso.

Do lado de Bamako, as autoridades afirmaram que vão “aplicar, por reciprocidade e com efeito imediato, aos cidadãos americanos, as mesmas condições e exigências que foram impostas pelas autoridades americanas aos cidadãos do Mali.” O governo do Mali “lamenta que uma decisão de tal importância tenha sido tomada sem qualquer consulta prévia.”

Níger, para já, em silêncio

Lembre-se que os dois países do Sahel, governados por juntas militares, são aliados numa confederação, a Aliança do Sahel, que também inclui o Níger. Defendem uma política soberanista e anti-imperialista, mas mantêm relações globalmente cordiais com os Estados Unidos.

Até ao momento, não houve nenhuma comunicação oficial do Níger sobre o assunto dos vistos, mas, na semana passada, a Agência do Níger informou sobre uma medida semelhante, citando uma fonte diplomática.

As medidas assumidas por Washington visam proibir a entrada no território americano de estrangeiros que “tenham a intenção de ameaçar” os americanos ou aqueles que “possam prejudicar a cultura, o governo, as instituições ou os princípios fundadores” dos Estados Unidos, de acordo com a Casa Branca.

A decisão prevê excepções para residentes permanentes legais, titulares de vistos existentes, certas categorias de vistos, como os emitidos a atletas e diplomatas, e para pessoas cuja “entrada serve os interesses nacionais dos Estados Unidos.”

Refira-se que desde Junho, outros 12 países foram afectados por estas restrições, principalmente na África e no Médio Oriente: Afeganistão, Birmânia, Chade, Congo-Brazzaville, Guiné Equatorial, Eritreia, Haiti, Irão, Líbia, Somália, Sudão e Iémen.

Em Outubro, o Burquina Faso anunciou que se recusaria a acolher pessoas expulsas dos Estados Unidos para países terceiros, outra medida emblemática da política anti-imigração de Trump. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Burquina Faso, Karamoko Jean-Marie Traoré, classificou então essa proposta de Washington como “indecente.”

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