Botswana em negociação com Governo angolano para participação na refinaria do Lobito

O Botswana está a avançar para garantir uma participação num projecto de refinaria de petróleo avaliado em vários milhões de dólares em Angola, numa altura em que as tensões em torno do Estreito de Ormuz levantam preocupações sobre possíveis perturbações no fornecimento global de combustíveis, levando os países a reforçar a sua segurança energética e a prepararem-se para choques semelhantes no futuro.

À medida que as tensões entre a coligação Israel-Estados Unidos da América (EUA) e o Irão se intensificam, os países procuram cada vez mais assegurar o abastecimento energético, estabelecendo novas alianças e investimentos estratégicos para proteger as suas economias de choques geopolíticos.

O Botswana está entre os países que estão a ajustar a sua abordagem. A nação da África Austral, sem acesso ao mar e sem produção de petróleo bruto, depende totalmente da importação de produtos refinados, incluindo gasolina, gasóleo, parafina e gás de petróleo liquefeito, a maioria dos quais transita através da África do Sul.

De acordo com a publicação ‘Business Insider Africa’ e para mitigar esta dependência, o Botswana tem a intenção de investir num projecto de refinaria em Angola, numa mudança face a anos de forte dependência dos diamantes, um sector que começa agora a dar sinais de abrandamento.

Segundo a imprensa local, a ministra dos Minerais e Energia, Bogolo Kenewendo, informou o Parlamento de que foi oferecida ao Botswana uma participação de até 30% num projecto de refinaria em Angola, após a visita do Presidente Duma Boko ao país na semana passada.

O projecto em causa será a Refinaria do Lobito, uma importante infra-estrutura em desenvolvimento pela Sonangol. A planta de refinação deverá ter uma capacidade de processamento de aproximadamente 200 mil barris por dia e está avaliada em cerca de 6 mil milhões de dólares, embora projecções indiquem que o valor poderá aumentar devido a questões de financiamento e construção.

“Angola tem petróleo, petróleo bruto e refinaria e deu-nos agora a oportunidade de adquirir pelo menos 30% desta”, declarou a governante no Parlamento tswana.

Recorde-se que Angola é o terceiro produtor de petróleo em África, depois da Nigéria e da Líbia, estando a sua produção estimada entre 1,1 e 1,2 milhão de barris/dia. O país exporta a maior parte do seu petróleo bruto para grandes mercados internacionais, incluindo a China, a Índia e partes da Europa.

A empresa estatal de energia, Sonangol, supervisiona as operações a montante e a jusante e lidera os esforços para expandir a capacidade de refinação interna através de projectos como o do Lobito.

Kenewendo revelou ainda que o Botswana está igualmente a explorar acordos de aquisição de combustíveis com a Sonangol.

“Quando estivemos em Angola, o Presidente Boko manteve conversações com o Presidente angolano, João Lourenço, no sentido de que, quando a Sonangol adquirir combustível para Angola, possa também incluir o Botswana”, assegurou Kenewendo.

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