Angolano Lúcio Lara Santos destacou-se em Conferência Internacional PALOP/CPLP sobre cancro em África
Médicos, cientistas, académicos, outros profissionais de saúde e decisores politicos de países de língua portuguesa de quatro continentes reuniram em Benguela, em Setembro passado, na I Conferência Científica Internacional PALOP/CPLP sobre Cancro. O angolano Lúcio Lara Santos teve um papel central no evento, de onde saiu uma Carta Lusófona do Cancro.
O evento traçou um retrato actual da prevenção, diagnóstico e tratamento do cancro em África, com especial foco nos obstáculos estruturais e nas oportunidades emergentes de colaboração.
Oncologia molecular, neoplasias associadas a agentes infecciosos, medicina de precisão e estratégias regionais de controlo do Cancro estiveram em debate, tendo sido elaborada a referida Carta Lusófona do Cancro, documento estratégico que define recomendações para a harmonização de políticas oncológicas e cooperação científica entre os Estados‑membros da CPLP.
O angolano Lúcio Lara Santos desempenhou um papel central na organização científica da conferência. Investigador sénior e coordenador científico em oncologia translacional e molecular, está integrado no IPO Porto — Grupo de Patologia Experimental e Terapêutica no Centro de Investigação do IPO Porto (CI-IPOP), Porto Comprehensive Cancer Centre (Porto.CCC).
Lúcio Lara foi coorganizador científico da conferência, ao lado de Filomeno Fortes e Cesaltina Lorenzoni, tendo presidido a sessões temáticas sobre “Imunoterapia e tratamentos biológicos, incluindo células CAR-T” e “Estratégias moleculares e medicina de precisão”.
O angolano participou na redacção da Carta Lusófona do Cancro, contribuindo para os pilares estratégicos: registos populacionais, equipas multidisciplinares e investigação científica.
Lúcio Lara Santos foi um dos principais “arquitectos” científicos da conferência, com um papel activo na articulação entre investigação molecular, formação médica e políticas de saúde pública, uma actuação que reforça a ligação entre centros de excelência.
Segundo a organização, o cancro constitui uma das principais causas de morbilidade e mortalidade em África, com disparidades marcadas entre os PALOP. Estas desigualdades resultam de barreiras estruturais como acesso limitado a quimioterapia e radioterapia, escassez de especialistas e elevada proporção de diagnósticos em fases avançadas.
A incidência de cancro na África subsaariana deverá duplicar até 2040. Muitos sistemas de saúde carecem de programas estruturados de controlo do cancro, registos populacionais, rastreios organizados e diretrizes terapêuticas atualizadas.
O evento, no âmbito do II Congresso Hospitalar Regional, reuniu participantes de Angola, Moçambique, Guiné‑Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Brasil, Portugal e outros países.
A Carta destaca a necessidade de este sector ter financiamento sustentável, reforço tecnológico, cooperação científica internacional, formação continua, inclusão e equidade, e evidencia oportunidades emergentes em investigação molecular, telemedicina, formação especializada.
A Carta Lusófona do Cancro estabelece uma visão estratégica assente em registos populacionais, equipas multidisciplinares e investigação científica, e a sua implementação dependerá de compromisso político, investimento e colaboração contínua entre os países da CPLP.