IFC tem 750 milhões de dólares investidos nos países africanos de língua portuguesa

Agronegócio, turismo, logística e energia estão entre os sectores prioritários da Corporação Financeira Internacional, braço do Banco Mundial dedicado ao sector privado. Nos últimos cinco anos, a instituição mobilizou cerca de 1,2 mil milhões de dólares em projectos nos seis países africanos de língua portuguesa.

A Corporação Financeira Internacional (IFC), instituição do Grupo Banco Mundial vocacionada para o financiamento do sector privado, mantém uma carteira de projectos activos avaliada em 750 milhões de dólares nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), com particular atenção ao agronegócio, turismo, logística e infra-estruturas energéticas.

A informação foi avançada por responsáveis da instituição à agência Lusa, à margem da segunda edição do Fórum Empresarial da África Lusófona, realizado em Cabo Verde, que reuniu investidores e representantes governamentais para discutir oportunidades de negócio e o potencial de cooperação económica entre os países de expressão portuguesa.

Segundo Sameh Wahba, director regional da IFC para a África Ocidental e o Sahel, o agronegócio e o turismo estão entre as áreas prioritárias devido à sua capacidade de gerar emprego e dinamizar outras actividades económicas.

No sector agrícola, a aposta passa, entre outros aspectos, pela integração de pequenos produtores nas cadeias de valor e pelo desenvolvimento de actividades de transformação e processamento de produtos. No turismo, o impacto estende-se para além dos postos de trabalho directamente criados, abrangendo sectores como os transportes, o comércio e os serviços.

A logística constitui outra prioridade, dada a sua importância para a circulação de mercadorias e pessoas, bem como para o funcionamento das cadeias de abastecimento e o crescimento económico. As infra-estruturas, incluindo as energéticas, continuam igualmente a concentrar parte significativa dos recursos mobilizados pela instituição.

Angola e Moçambique entre os mercados em destaque

A directora regional da IFC para a África Austral, Cláudia da Conceição, indicou que, desde a realização da primeira edição do fórum, surgiram novas oportunidades de negócio, sobretudo no agronegócio, com destaque para Angola e Moçambique, além de iniciativas no sector da energia em que a instituição está envolvida.

A responsável adiantou ainda que deverão ser anunciadas novas parcerias com empresas agrícolas que trabalham directamente com produtores locais. Embora as infra-estruturas continuem a absorver uma parcela importante do financiamento, os projectos ligados à agricultura e ao processamento agro-industrial estão a ganhar peso na carteira da IFC.

Nos últimos cinco anos, a instituição mobilizou aproximadamente 1,2 mil milhões de dólares para dez projectos nos seis PALOP: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

A evolução da carteira reflecte o interesse em aprofundar a presença da IFC nestes mercados e em apoiar iniciativas capazes de dinamizar a actividade empresarial, criar emprego e reforçar a participação de produtores e empresas locais nas cadeias de valor.

Lusofonia procura reforçar integração económica

A aproximação entre os mercados africanos de língua portuguesa constitui um dos objectivos do fórum empresarial, cuja participação aumentou de 250 inscritos, na edição de 2025, para 420 na edição deste ano.

Para Cláudia da Conceição, a comunidade económica lusófona continua relativamente fragmentada, ao contrário de outros espaços linguísticos africanos que desenvolveram estruturas de cooperação comercial mais consolidadas.

A responsável considera que o encontro permite analisar os países de língua portuguesa de forma integrada, facilitando o contacto entre investidores, empresas e autoridades públicas e promovendo a identificação de oportunidades de negócio que ultrapassem as fronteiras nacionais.

O espaço económico dos PALOP reúne uma população estimada em cerca de 80 milhões de pessoas e um produto interno bruto (PIB) agregado próximo de 174 mil milhões de dólares, dimensão que poderá favorecer novas parcerias e iniciativas empresariais.

Crises internacionais também abrem oportunidades

As perturbações geopolíticas e as alterações nos mercados internacionais estão igualmente a criar novas possibilidades de investimento, segundo Sameh Wahba.

O aumento dos preços dos combustíveis, por exemplo, pode incentivar o desenvolvimento de projectos de energias renováveis e de soluções que permitam converter gás em electricidade, reduzindo a exposição às oscilações dos mercados externos.

Na agricultura, a insegurança alimentar agravada pela guerra na Ucrânia e as alterações nas cadeias mundiais de comércio reforçaram a importância da produção local e do investimento em actividades agro-industriais.

O responsável sublinhou também que as necessidades de financiamento em África continuam elevadas, embora exista actualmente uma maior coordenação entre instituições multilaterais, incluindo o Banco Africano de Desenvolvimento e o Banco Europeu de Investimento.

A IFC procura, por isso, ampliar a sua intervenção através de empréstimos, participações no capital de empresas e apoio técnico, dando igualmente atenção às micro, pequenas e médias empresas.

A instituição deverá acompanhar os contactos estabelecidos durante o fórum, com o objectivo de transformar as oportunidades identificadas em projectos concretos e reforçar a cooperação económica entre os países africanos de língua portuguesa.

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