Burundi disponível para receber deportados dos Estados Unidos mas só sem antecedentes criminais

O Burundi concordou em receber pessoas deportadas pelos Estados Unidos que não tenham qualquer ligação anterior com o país da África Oriental, anunciou ontem, terça-feira, dia 29, uma porta-voz da Presidência burundesa.

Nancy Ninette Mutoni afirmou que o Burundi apenas aceitará pessoas que não estejam envolvidas em processos criminais, não tenham cometido crimes violentos e não apresentem ligações ao terrorismo.
A responsável não adiantou, durante um evento público, quando deverão chegar os primeiros deportados nem quantas pessoas o país se comprometeu a receber. Indicou, contudo, que estão em curso preparativos para garantir alojamento e apoiar a integração dos deportados nas comunidades locais. “Recebê-los exige um planeamento sério — onde ficarão, o que comerão e como viverão ao lado da população local”, afirmou Mutoni.
A administração do Presidente norte-americano Donald Trump tem alargado as deportações para países terceiros no âmbito da sua política de controlo da imigração. A medida permite enviar pessoas para países dos quais não são cidadãs e onde, em alguns casos, nunca viveram. Vários países africanos, entre os quais o ESwatini e o Sudão do Sul, já receberam cidadãos deportados pelos Estados Unidos.
Na semana passada, uma decisão de um tribunal federal de recurso norte-americano colocou em causa parte do programa. Advogados de imigrantes afirmaram que foi cancelado um voo com cerca de 70 pessoas, que deveria partir do Louisiana com destino ao Burundi, ao Ruanda e à República Centro-Africana.
A decisão judicial não proibiu as deportações para países terceiros, mas determinou que as pessoas sujeitas a deportação devem ter a possibilidade de contestar o envio para países com os quais não possuem qualquer ligação.
A administração Trump tem defendido a política como necessária perante a recusa de alguns países de origem em receber de volta os seus cidadãos.
Entretanto, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos autorizou ontem, terça-feira, dia 29, provisoriamente, o Governo a continuar a deportar pessoas para países que não sejam aqueles de que são cidadãs, enquanto os tribunais analisam a legalidade da política.

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