AOG 2026: Angola procura transformar petróleo e gás em mais investimento e indústria

Angola iniciou ontem, terça-feira, dia 8, a 7ª edição da Angola Oil & Gas (AOG) com uma agenda dominada pelo desafio de transformar o potencial petrolífero e gasífero do país em novos investimentos, maior industrialização e participação mais efectiva das empresas nacionais na cadeia de valor.

O primeiro dia, dedicado à pré-conferência, colocou em discussão questões técnicas e estratégicas que deverão marcar os trabalhos da conferência principal, com destaque para o desenvolvimento das infra-estruturas de gás, exploração de novas reservas, digitalização, conteúdo local, regulação e segurança energética.
A aposta no gás natural surgiu como um dos principais eixos dos debates. A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) apresentou o desenvolvimento do segmento midstream como uma oportunidade para mobilizar investimentos de grande dimensão e criar uma ligação mais forte entre a produção de gás e a indústria nacional.
A estratégia passa por aumentar o aproveitamento dos recursos gasíferos, desenvolver infra-estruturas de transporte e processamento e criar condições para que o gás deixe de ser apenas um subproduto da actividade petrolífera e passe a desempenhar um papel central na industrialização do país.

Tecnologia para novas oportunidades
A tecnologia foi outro dos temas em destaque, num sector em que Angola procura travar o declínio natural da produção e estimular novas campanhas de exploração.
As sessões técnicas abordaram o recurso a tecnologias avançadas de interpretação sísmica, inteligência artificial e análise de dados para melhorar o conhecimento das bacias sedimentares angolanas e identificar novas oportunidades de exploração.
A utilização de ferramentas digitais deverá permitir às empresas reduzir riscos, melhorar a eficiência das operações e tomar decisões de investimento com maior precisão, num contexto internacional marcado por custos elevados e crescente exigência tecnológica.

Conteúdo local sob pressão
A participação das empresas angolanas na indústria petrolífera voltou igualmente a ocupar espaço relevante na agenda.
O debate sobre conteúdo local concentrou-se na necessidade de passar de uma participação baseada apenas em requisitos regulatórios para uma presença sustentada pela capacidade competitiva das empresas nacionais.
A contratação, o acesso às oportunidades de fornecimento e a qualificação dos prestadores de serviços foram discutidos em sessões envolvendo grandes operadores internacionais.
O desafio para Angola consiste agora em garantir que o aumento da actividade petrolífera produza efeitos mais amplos sobre a economia, através da criação de empresas nacionais capazes de fornecer bens e serviços à indústria com padrões internacionais de qualidade, preço e eficiência.

Notícias relacionadas
Comentários
Loading...