Surto de ébola poderá ser duas a quatro vezes superior ao previsto, refere OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou ontem, terça-feira, dia 14, que a dimensão da epidemia do vírus Ébola na República Democrática do Congo (RDC) poderá ser “duas a quatro vezes” superior às estimativas oficiais.

“De acordo com as nossas projecções (…) a dimensão da epidemia representa, pelo menos, duas a quatro vezes o número de casos registados”, anunciou à imprensa Chikwe Ihekweazu, responsável pelo programa da OMS de gestão de situações de emergência sanitária, precisando, no entanto, que a capacidade da organização para “detectar os casos está a aumentar e a melhorar a cada dia”.

Declarada há dois meses, em Ituri (nordeste), na fronteira com o Sudão do Sul e o Uganda, a epidemia do Ébola na RDC, que já causou oficialmente 702 mortos e 1.926 casos confirmados, segundo os últimos dados do Governo, estende-se agora a outras quatro províncias: Kivu do Norte, Kivu do Sul, Tshopo e Alto Uélé.

Foram, também, registados 20 casos no país vizinho Uganda.

“Trata-se agora da terceira maior epidemia de Ébola de sempre e aquela que registou a progressão mais rápida num único mês de todas as epidemias de Ébola que já gerimos”, alertou Ihekweazu, de regresso de uma visita ao leste da RDC.

Segundo o responsável, “apesar dos progressos alcançados, a epidemia continua a ultrapassar os esforços de resposta das autoridades nacionais, dos parceiros internacionais, incluindo a OMS, e das comunidades mais afectadas”.

A constatação “mais alarmante”, na sua opinião, reside provavelmente no facto de “muitos dos novos casos notificados dizerem respeito a pessoas que morreram nas suas comunidades, sem nunca terem chegado a um estabelecimento de saúde nem recebido cuidados”.

“Temos de detectar os casos mais cedo. Temos de reforçar e acelerar o rastreio de contactos. Temos de garantir que os estabelecimentos de saúde sejam acessíveis, seguros e merecedores da confiança das comunidades que servem”, acrescentou o responsável da OMS, referindo que mais de 90% dos casos continuavam a ser detectados em Ituri.

Entre os aspectos mais encorajadores, o Ihekweazu indicou que a taxa de acompanhamento dos contactos se aproximava actualmente dos 80%, que 700 camas estão agora disponíveis para tratar os doentes e que o número de instalações laboratoriais aumentou de uma para 14.

Além disso, ele recordou que dois tratamentos estão actualmente a ser testados no local e que o Instituto Nacional de Investigação Biomédica (INRB) de Kinshasa, a agência francesa ANRS MIE e a ONG Alima devem anunciar em breve o ensaio clínico de uma profilaxia pós-exposição (PPE) baseada no antiviral obeldesivir em pessoas que tenham estado em contacto com casos confirmados.

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